Posts filed under ‘50 músicas’

O dia em que eu fui salva por David Bowie

[Mais uma música que marcou a minha vida.]


[aperta o Play, cara-pálida!]

Era um daqueles dias chatíssimos, em que você quer ficar só e está rodeado de gente. Datas especiais, aquelas que eu odeio. Eu deveria determinar as datas especiais para mim, não a Associação Comercial de São Paulo. Mas o amor mais puro me chamava e não me restava opção além de me encapotar e encarar o tempo.

Quem conhece aquele lugar sabe o frio que faz lá. Mesmo no verão, com sol a pino e sensação térmica de quarenta graus, aquele é um dos mais gelados que eu conheço. Muito tempo ali dentro te gela os ossos. Isso sem falar nos robôs invisíveis que sugam a alma dos incautos que arriscam dar bobeira por lá.

Sem sol, a sensação térmica era de oito graus. Eu tinha duas opções: dar um jeito na minha vida, de uma vez, ou perder minha alma para os tais robôs invisíveis. A primeira pareceu mais razoável e lá fui eu: encapotada, de bota, cachecol, casaco, luva e medalha de São Bento para proteger a alma.

Saindo de casa me lembrei do porta cds. Já que eu tinha que sair de casa, entregar aqueles papéis e dar um jeito na minha vida, que pelo menos eu cantasse e dançasse um pouco no caminho. Peguei o primeiro cd que eu vi (os robôs já estavam aqui em casa, roubando a minha alma: era preciso correr) e entrei no carro.

No caminho, enquanto o cd tocava, eu fui pensando na minha situação: como disfarçar a dor incapacitante que eu sentia e me empoderar, enquanto meu coração estava quebrado ao meio e todo o desejo se esvaía em outro lado? Eu estava ferida. E doía.

Foi quando começou. Sem ninguém pedir, ele começou a falar aquelas coisas. Falou de um poder efêmero, mas que não é menor por isso. Um poder vindo da fonte mais explosiva e incontrolável e pura.

Chegando no meu destino, enxuguei as lágrimas (só eu sei quantas cairam no estofamento do carro naquela semana) e me recompus. No melhor estilo “eu sei-eu quero-eu posso-eu tenho” entrei no recinto e falei o que estava guardado. Com uma força que a ciência contemporânea não explica, consegui dizer o que queria. A resposta foi a que eu esperava, embora não fosse a que eu queria. De qualquer forma, havia uma resposta e isso bastava. Levantei e fui embora, para nunca mais voltar.

Desse dia em diante, quando a coisa aperta eu ouço Heroes. E, num instante, acredito que é possível, mesmo com as balas passando sobre a minha cabeça e o mundo todo indo contra o que eu quero. Que eu posso, simplesmente porque eu quero. Foi ele quem me ensinou. E por isso eu digo que, mais que marcar, ele salvou a minha vida.

Anúncios

domingo, 3 fevereiro at 4:20 am 4 comentários

50 músicas que marcaram a minha vida: Não quero mais você (Rafa & Cadela)

(Repetindo post, Carla Regina?)

Aperta o Play!

Porque eu morro de saudades daquelas tardes de domingo. Porque eu hoje sonhei com aqueles ensaios. Porque as festas eram boas, os abraços eram sinceros e os amigos, de verdade. Porque todo mundo precisa de uma fase de loucurinha adolescente.

E, principalmente, porque “Não quero mais você” é a mais superior das músicas de despedida. Ever.

. . .

Procurando por “Billy the Kid” no orkut achei a comunidade de outra banda com esse nome. Na descrição: “por enquanto, a banda está de férias”. Será que o nome influencia?

. . .

Você já foi visitar a casa nova da Deusa Doméstica? Como não? Vá lá agora!!!

quinta-feira, 8 novembro at 11:51 am 1 comentário

50 músicas que marcaram a minha vida: Friday, I’m in love (The Cure)


Aperte o play antes de ler esse post!

Com Friday, I’m in love eu fiquei sabendo que The Cure era The Cure. Eu antes já ouvia Boys don’t cry e In between days no parque do clube, como ouvia Pet Shop Boys e outras coisas assim, mas não sabia que era The Cure.

Era música de novela (eu fui gamada em música de novela dos 13 aos 20 anos, mais ou menos). E sempre passava aquele clipezinho lindo, cheio de cores e Bob-Smithices nos intervalos da Globo. Mas só um trechinho, como bom comercial de trilha de novela. Aí trocava para outra música.

Na descrição de um vídeo do youtube, Friday, I’m in love é chamada de “almost happy”. Eu discordo. Friday, I’m in love é happiest ever. Eu não conheço todas as músicas do Cure, mas acho que Friday, I’m in Love é a mais feliz de todas elas. Quiçá de tudo que esse mundo rock pop whatever já produziu.

[Porque é uma música esperançosa, do tipo “pode tudo estar ruim, mas na sexta feira tudo ficará bem porque eu vou estar com você”. E não é bem assim? Na sexta feira tudo pode ficar bem! E ao contrário de muito cantor brasileiro, o Cure fala isso sem fazer apologia explícita ao uso de drogas, não é lindo?]

E tem coisa mais gostosa que o Bob Smith arrumando os cabelos no começo do clipe? E aquele coração vermelho pulando lá atrás? E a mudança de panos de fundo?

[Eu não consigo pensar em muita coisa tão gostosa quanto. Macarrão com abobrinha, talvez. Chocolate meio-amargo. Pipoca caramelada com coca-cola gelada. Para ninguém falar que eu só penso em comida, balançar no meu balanço mega também tá no mesmo nível de gostosice. E andar de bicicleta no vento. E ganhar colo e cafuné. E ouvir Boys don´t cry dançando feito uma doida em frente a parede, ou cantar Love Shack dirigindo pra faculdade…]

Anyway… em dias estranhos, quando as coisas não andam (distimia pega, Doni?), a gente se estranha e o sol não dá as caras, a melhor coisa é poder contar com o Youtube pra ver essas coisas bonitas e dar um sorriso. Cheio de esperança.

Agora volta lá em cima e assiste o clipe inteiro!

terça-feira, 23 outubro at 1:00 am 1 comentário

50 músicas que marcaram a minha vida: These are the days (10 000 Maniacs)

Esses são os dias que você vai lembrar: nem antes, nem depois, eu prometo, o mundo vai ser tão bom como agora. E quando você sentir, vai saber que é verdade, e que você é abençoado e afortunado. É verdade que você foi iluminado, e algo vai crescer e florescer em você. Esses são os dias que você vai lembrar. Quando Setembro passar por você cheio de desejo, mostrando partes dos milagres que você vê todas as horas, você vai saber que é verdade. Que você é abençoado e afortunado, foi iluminado e tocado por algo que vai crescer e florescer em você. Nesses dias em que você vai rir até doer a barriga, você vai sentir uma réstia de luz chegar até seu rosto. E quando isso acontecer, você vai saber que era para ser assim. Vai ver os sinais e entender o que eles queriam dizer. Porque era pra ser assim. Ouça os sinais e entenda o que eles querem dizer para você.

(Faz, no mínimo, 8 anos que eu ouço essa música e nunca tinha parado para ouvir a letra. Taí a letra. Deus fala com a gente em cada coisinha da nossa vida. Basta ter atenção para ouvir.)

terça-feira, 18 setembro at 12:00 pm Deixe um comentário

50 músicas que marcaram a minha vida: Heal the Pain (George Michael)

Heal the Pain foi tema alguma novela lá no começo dos anos 90, quando eu estava começando a estudar inglês. Deve ter sido a terceira música que eu aprendi no curso (a primeira foi It Must Have Been Love, a segunda, Stay).

Agora me pego pensando na percepção de dor que eu tinha aos onze, doze anos. “Nobody else has the power to make you happy” foi repetida inúmeras vezes, na hora do beijo que eu não dei, na hora de trancar-se junto com o toca-fitas no banheiro, na hora de chorar com a vassoura na mão. Eu esperava a hora que chegaria alguém dizendo que poderia curar a minha dor.

Sim, eu ouvia em fita. Eu gravei do LP da irmã de uma amiga querida. E enfeitei toda a caixinha com adesivos canadenses, da Sandlion. Alguém lembra dos adesivos da Sandlion? Eram caríssimos, especialíssimos, minhas maiores preciosidades. Mas nessa fita, que só tinha Heal the Pain (60 minutos, quantas vezes em uma hora cabe Heal the Pain?) eu coloquei vários adesivos da Sandlion. Leõzinhos, carinhas, flores, árvores.

Bem depois eu procurei Heal the Pain no Napster, mas não achei. Acabei esquecendo dela. Até que dias atrás eu ganhei a mp3, com o Paul McCartney cantando junto como George Michael.

Engraçado porque – do nada – a música ressurge num momento de dor. E – de novo – traz esperança.

(Vou procurar meus adesivinhos.)

sábado, 1 setembro at 12:00 pm 4 comentários

50 músicas que marcaram a minha vida: Bizarre Love Triangle

A primeira vez que eu ouvi Bizarre Love Triangle, foi na versão do Frente!, era tema de novela e eu era novinha, bem novinha. Aquela coisinha fofa, violão e voz, letra bonitinha. Gostei.

Eram os anos 90, para os leitores mais novinhos desse blog que não lembram. MTv, no interior, era só para quem tinha TV a cabo ou Globosat. O máximo que se via de clipe eram os pedacinhos que passavam na propaganda das coletâneas de novelas no intervalo da Globo. Um ou outro no Fantástico e só.

Pois bem, um dia eu vi uns homens pulando e caindo e acabei chegando nessa versão aqui:

Sei lá. Eu já gostava de New Order um pouco antes. Até sabia da história do Joy Division, do suicídio, aquela novela toda. Fiquei sabendo quando vi uma matéria sobre o Monaco num programa que passava na CNT a tardinha. Lembra do Monaco?

Fato é que com Bizarre Love Triangle eu comecei a gostar de Frente! e de New Order. E, vou te dizer, isso é mais que motivo para ela entrar na lista das músicas que marcaram a minha vida.

quarta-feira, 22 agosto at 12:00 pm Deixe um comentário

50 músicas que marcaram a minha vida: A vontade de mudar (Madredeus)

(Tá, é A Vaca de Fogo. Mas marcou junto. O que marcou não foi UMA música, foi A Madredeus!)

Os melhores momentos que eu vivi foram em madrugadas. Madrugadas memoráveis, firmes na memória: as conversas, os amigos, os sofás, as músicas.

Numa dessas madrugadas, em 2001, eu percebi o quanto eu amava uma pessoa. Foi um amor forte, talvez o amor que mais durou por aqui. A vida nos mandou por caminhos diferentes, e assim foi melhor: somos, os dois, bem mais felizes hoje do que éramos àquela época.

Dessa madrugada duas lembranças ficaram pra sempre. Uma frase e Madredeus.

Eu sempre gostei de Madredeus. Mas nessa madrugada eles se tornaram importantes. Ouvir Madredeus é lembrar de um tempo em que as coisas não eram melhores, tampouco mais fáceis. Mas era um tempo em que eu sonhava, e acreditava na realização desse sonho. Sem regrets, sem lamentações, hoje eu sou mais feliz, repito. Isso não impede de dizer, no entanto, que essa madrugada deixou saudades.

(Eu já disse isso antes…)

quinta-feira, 16 agosto at 12:10 pm Deixe um comentário

Posts antigos


Agenda

outubro 2017
D S T Q Q S S
« ago    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

Posts by Month

Posts by Category