Posts filed under ‘27 citações’

27 citações: Tudo que é sólido desmancha no ar (Marshall Berman)

Nos assim chamados países subdesenvolvidos, planos sistemáticos para um rápido desenvolvimento significam em geral a sistemática repressão das massas. Isso tem assumido, quase sempre, duas formas, distintas embora não raro mescladas. A primeira forma significou espremer até a última gota a força de trabalho das massas – “os sacrifícios humanos sangram,/ Gritos de desespero cortarão a noite ao meio”, como se diz no Fausto – para alimentar as forças de produção e ao mesmo tempo reduzir de maneira drástica o consumo de massa, para geral o excedente necessário aos reinvetimentos econômicos. A segunda forma envolve atos aparentemente gratuitos de destruição – a eliminação de Filemo e Báucia, seus sinos e suas árvores, por Fautso – destinado a não gerar qualquer utilidade material, mas a assinalar o significado simbólico de que a nova sociedade deve destruir todas as pontes, a fim de que não haja uma volta atrás.

“Tudo que é sólido…” é daqueles livros fundamentais para quem quer entender essa tal modernidade. Emendei com a leitura do Bauman (superdose de modernidade?), mas são posicionamentos diferentes frente a alguns fenômenos, o que ajuda a enriquecer a compreensão.

A análise do Fausto traz vários elementos de uma compreensão ampliada, que vê na obra um panorama metafórico, porém muito preciso, do processo de modernização, do seu início nas revoluções burguesas do século XVII até as revoluções socialitas do início do século XX.

O livro ainda traz análises de obras de Marx, Baudelaire, Gogol, Dostoievski e da urbanidade de Nova York. Uma leitura rica e que traz uma compreensão muito ampliada da época em que vivemos.

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segunda-feira, 19 novembro at 12:00 pm 6 comentários

27 citações: Modernidade Líquida (Zygmunt Bauman)

Não [há] mais grandes líderes para lhe dizer o que fazer e para aliviá-lo da responsabilidade pela conseqüência de seus atos; no mundo dos indivíduos há apenas outros indivíduos cujo exemplo seguir na condução das tarefas da própria vida, assumindo toda a responsabilidade pelas conseqüências de ter investido a confiança nesse e não em qualquer outro exemplo. (p. 39)[…]
Essa obra de arte que queremos moldar a partir do estofo quebradiço da vida chama-se “identidade”. Quando falamos de identidade há, no fundo de nossas mentes, uma tênue imagem de harmonia, lógica, consistência: todas as coisas que parecem – para nosso desespero eterno – faltar tanto e tão abominavelmente ao fluxo de nossa experiência. A busca da identidade é a busca incessante de deter ou tornar mais lento o fluxo, de solidificar o fluido, de dar forma ao disforme. Lutamos para negar, ou pelo menos enconbrir, a terrível fluidez logo abaixo do fino envoltório da forma; tentamos desviar os olhos de vistas qu eeles não podem penetrar ou absorver. Mas as identidades, que não tornam o fluxo mais lento e muito menos o detêm, são mais parecidas com crostas que vez por outra endurecem sobre a lava vulcânica e que se fundem e dissolvem novamente antes de ter tempo de esfriar e fixar-se.
(p. 97)
Modernidade Líquida. Zygmunt Bauman. Jorge Zahar Editor, 2001.

(Chega de citar, senão eu coloco o livro inteiro.) Em Modernidade Líquida, Bauman analisa cinco conceitos que organizam a vida humana: emancipação, individualidade, tempo/espaço, trabalho e comunidade. Ele traça o cenário da mudança desses conceitos na assim chamada pós-modernidade. E discute muita coisa que a gente percebe por aí, mas as vezes nem pára para pensar.

É uma leitura densa e ao mesmo tempo gostosa. Vale a pena dedicar umas horas da sua vida para pensar sobre ela com algum subsídio, digamos assim, científico.

sexta-feira, 14 setembro at 12:00 pm 2 comentários

27 citações: A menina que roubava livros (Markus Zusak)

O mistério me entedia. Dá trabalho. Sei o que acontece, e você também. As maquinações que nos levam até lá é que me irritam, me deixam perplexa, me interessam e me estarrecem.

Há muitas coisas em que pensar.

Muitas histórias. (Marcus Zusak. A menina que roubava livros. p. 227)

Em uma guerra, não há quem não sofra. Com exceção, talvez, dos senhores da guerra, que – como dizia Renato Russo – não gostam de crianças. O bacana dessa história, contada pela indesejada das gentes, é mostrar como uma criança alemã se viu perdida em meio a encontros da Juventude Hitlerista, bombardeios, um segredo no porão e memórias persistentes. É uma história triste, mas é menos triste que O Caçador de Pipas. Porque, ao contrário de Sohrab, Liesel tem esperança. Ao contrário de Sohrab, Liesel tem voz.

sábado, 4 agosto at 12:31 pm 2 comentários

27 citações: Papel Manteiga para embrulhar segredos (Cristiane Lisbôa)

[…] como se para ser uma mulher moderna eu precisasse mentir que não gosto de panos de prato. Entendo que o sexo é político, abomino mutilações como as que acontecem em algumas tribos africanas e, claro, sou a favor de algumas coisas que ela defende, mas Bisa, minha luta é outra. Mulheres não precisam ser masculinizadas para que exista respeito. Em momento algum é preciso fingir que não temos, lá dentro, um sentimento arcaico de servir sabor a quem amamos. Isso não me diminui, não diminui ninguém. Apenas nos afasta. (Cristiane Lisbôa. Papel manteiga para embrulhar segredos. p. 49)

Há vários livros que eu gostaria de ter escrito. Mas nenhum se encaixa tão perfeitamente quanto “Papel manteiga para embrulhar segredos”. Houve um burburinho na blogosfera quando esse livro foi lançado, afinal, as autoras (do livro e das receitas) têm seus sites pessoais. As recomendações são mais que justificadas: as receitas de Tatiana Damberg dão água na boca e o texto de Cristiane Lisbôa é delicioso. Antônia, a Senhorita Virgínia, a Bisa parecem tão vivos que, ao fim da leitura, a vontade é recomeçar e viver tudo de novo. Isso faz de Papel Manteiga um ótimo presente, seja para aquela sua amiga que a-do-ra uma comidinha ou para aquela que acha que gostar das coisas do lar inferioriza alguma mulher.

Todos temos algo a aprender com Antônia e a Senhorita Vírginia. Nem que seja a disposição para começar a viver.

(Post casadinho com o Deusa Doméstica.)

segunda-feira, 9 julho at 7:04 pm 1 comentário

27 Citações: Marley e Eu (John Grogan)

Um dia de manhã, não muito depois de Marley ter abandonado o seu hábito de pular em cima das pessoas, acordei e minha mulher estava de volta. Minha Jenny, a mulher que eu amava, que desaparecera no meio daquela espessa bruma azul, havia voltado para mim. Da mesma forma como a depressão pós-parto se instalou, acabou indo embora. Como se ela tivesse sido exorcizada. Todos os demônios haviam ido embora. Embora parra sempre. Ela estava forte, pra cima, não apenas enfrentando as situações de uma jovem mãe de dois filhos, mas conseguindo fazer isso com sucesso. (John Grogan. Marley e Eu. p. 158)

Esse ano ganhei bons presentes de aniversário. Não que tenha sido diferente dos anos anteriores, mas os presentes desse ano estão mais presentes, mais frescos na memória.

Um dos presentes mui especiais foi Marley e Eu. (Valeu, Verox!) A história da formação de uma família e da sua relação com um cachorro adorável e estabanado resulta numa leitura deliciosa. Aqueles livros que você lê economizando, porque é gostoso de ler e também porque acaba trazendo muita coisa da sua vida (ou será que sou eu que estou num momento Marley e Eu?)

É muito interessante ver a depressão pós parto de Jenny pelos olhos de John. É dolorido também. A depressão pós parto existe, é um problema de saúde pública e vai muito além de ser ou não “uma boa mãe”. Compreender os seus sintomas e saber como procurar tratamento é fundamental quando se fala em formação de famílias saudáveis.

sexta-feira, 11 maio at 12:00 pm 7 comentários

27 Citações: O Homem e seus símbolos (Carl G. Jung – org.)

De acordo com vários mitos, o Homem Cósmico não significa apenas o começo da vida, mas também seu alvo final, a razão de ser de toda a criação. (…) Toda realidade psíquica interior de cada indivíduo é orientada, em última instância, em direção a este símbolo arquetípico do self.

Em termos práticos, isto significa que a existência do ser humano nunca será explicada por meio de instintos isolados ou de mecanismos intencionais como a fome, o poder, o sexo, a sobrevivência, a perpetuação da espécie etc. Isto é, o objetivo principal do homem não é comer, beber etc., mas ser humano. Acima e além desses impulsos, nossa realidade psíquica interior manifesta um mistério vivente que só pode ser expresso por um símbolo; e para exprimi-lo o inconsciente muitas vezes escolhe a poderosa imagem do homem cósmico.” (O Processo de Individuação. M – L von Franz. In: O Homem e seus símbolos – organizado por Jung)

Jung e Skinner brigam pelo meu amor constantemente. Ainda bem que falta muito para eu ter que escolher.p.s.: Sim, estou estudando demais. E trabalhando demais. E malhando. E estou num congresso BACANÉRRIMO de atenção domiciliar. E devo escrever novamente no sábado. (Fiquem com o Jung, ele é bem legal)

quarta-feira, 28 março at 11:49 pm 1 comentário

27 Citações: Teorias da Personalidade (Susan Clonninger)

Os mitos religiosos são talvez os mais importantes, proporcionando orientaçõs valorosas para a vida e para o desenvolvimento. Algumas pessoas não gostam da categorização da religião como mito e tendem a defender os postulados religiosos com padrões científicos. Exemplo disso é o debate entre evolucionismo e criacionismo. Julgar a relação com critérios científicos significa não compreender, e subestimar, a natureza do mito e é tão pouco sensato quanto mandar consertar uma máquina de lavar louça porque não assa um bolo. (Teorias da Personalidade. Susan C. Clonninger.)

Susan Clonninger dá um ótimo panorama sobre a obra de Jung e explica a importância de suas relações com a mitologia.

terça-feira, 27 março at 7:36 pm 2 comentários

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