Posts filed under ‘saude’

Porque hoje é o dia da terra

Hoje, dia 22 de abril, é o Dia da Terra. O pessoal do Faça sua parte está propondo uma postagem coletiva sobre o assunto. Nas palavras deles:

Coloque um pouco [de terra] na língua. Não tenha receio! Lembre-se da infância, de quando isso era natural; de quando nada dessa nossa cultura ainda havia sido colocada em você! De quando a natureza e você eram uma coisa só. De quando você e sua mãe eram uma coisa só!

Estranho, né? Pois é assim que somos em relação à Terra. Estranhos. Como num país cuja língua e costumes não entendemos. Nesse feriado, aproveite para sentir a Terra. E depois escreva um post sobre isso. Publique no dia 22.

Escreva sobre a Terra, o que quiser, mas tente escrever, também, sobre os seus sentimentos, sobre o quanto você se sente afastado ou integrado a ela.

Como você pisa na Terra?

Esse post é a minha contribuição para o Dia da Terra. Como transformar a nossa casa em um pedaço menos estranho, menos agressivo, menos poluente? Como viver bem sem destruir o planeta em que vivemos? Eu sei que nós podemos mudar coisas pequenas, mas ainda tenho medo das grandes. E fico com medo quando vejo a Lucia Malla falar em tipping point – a hora que a coisa vai degringolar de vez. E fico triste quando olho pro lado e vejo gente fechando as cortinas e acendendo a luz.

Como ajudar a preservar nosso planeta?

A Carol Costa está fazendo uma experiência muito interessante e contando tudo no site da revista Bons Fluidos. Por um mês, ela vai mudar tomar dez atitudes que podem ajudar a preservar o meio ambiente, se todo mundo tentar junto. Eu acho que ela não vai ficar chateada se eu colocar quais são essas atitudes aqui:

  1. Tirar os aparelhos do stand by
  2. Utilizar os dois lados do papel
  3. Não pegar sacolas plásticas
  4. Separar e reciclar o lixo
  5. Substituir produtos de limpeza tóxicos por biodegradáveis ou naturais
  6. Fazer uma composteira
  7. Reutilizar água da máquina de lavar
  8. Consumir menos
  9. Não comer carne
  10. Trocar o carro por bicicleta ou transporte público

Essa é a lista dela, você pode fazer a sua. Não precisa ter dez atitudes, podem ser cinco. Ou uma. Escovar os dentes com um copo de água, por exemplo. Desligar o chuveiro enquanto ensaboa o corpo e os cabelos. Levar a sua sacola de pano para o mercado, pelamordedeus, isso é tão fácil e a gente ainda é tão resistente.

O Afonso falou lá no Faça Sua Parte e eu repito aqui: mudar hábitos é mais fácil do que a gente pensa. No começo do ano eu me propus a tirar os aparelhos do stand by. Recuperei os telefones com fio (que não consomem energia) e deixei só um telefone sem fio na casa. O telefone sem fio não pode ficar fora da tomada mas o resto (televisão, dvd, microondas, forno elétrico, computador, som, carregador de celular…) pode. A noite eu passo uma “revista” pela casa, procurando deixar só os imprescindíveis ligados (telefone – geladeira). E tem sido assim desde janeiro. Já virou hábito, como escovar os dentes ou passar creme nos pés. Agora imagine o impacto de toda a população reduzindo 20% no consumo de energia.

Então chegou a hora de responder o Afonso: como você pisa na terra? Qual o tamanho da pegada que você deixa? Quais atitudes você vai mudar para desacelerar o processo de destruição do planeta?

p.s.: O Recanto da Deusa Doméstica também tá nessa!

terça-feira, 22 abril at 3:12 pm 8 comentários

Liberdade pra quê?

Eles estão brabinhos. É, no mínimo, irônico ver uma indústria que lucra em cima do adoecimento da população fazer um protesto “a favor da liberdade com responsabilidade”. Para a ABRASEL, que na última terça feira (01 de abril – uma data sugestiva, considerando os argumentos defendidos) iniciou um movimento contra a lei do Tabagismo, a lei seca e a MP que proíbe a venda de bebidas alcóolicas à beira de rodovias federais, o conceito de liberdade se resume a poder intoxicar-se, desde que gerando lucro, impostos, empregos.

“Não há provas de que fechar os bares reduz a criminalidade”, dizem eles. Esquecem da experiência de Diadema, que teve redução de 59% no número de homicídios após a implantação da Lei Seca (aprovada por 92% da população dois anos depois de sua implantação). “Todos têm o direito de fumar”, dizem eles. Esquecem da saúde dos garçons que são transformados em fumantes passivos. “Não somos responsáveis por motoristas mal educados”. Mas seguem lucrando em cima daqueles que virão causar 75% dos acidentes com vítimas fatais.

Sem falar na questão da propaganda. Na última semana, representantes do Movimento Propaganda sem Bebida entregaram ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arlindo Chinaglia, 600 mil assinaturas pedindo a proibição de toda propaganda de bebidas alcoólicas no país. Enquanto isso não acontece, a aprovação do PL 2.733 – que limita a propaganda de bebidas alcoólicas entre 21h e 6h – já é considerada um avanço importante. Esse projeto tramita em regime de urgência constitucional, mas a pauta da Câmara dos Deputados está travada por Medidas Provisórias.

Aí você me pergunta: “mas adianta proibir?”. Olha, eu te digo: ninguém vai morrer por falta de uma cerveja na viagem. Nenhum apreciador de cerveja, vinho (onde eu me incluo) ou cachaça, vai deixar de apreciar sua bebida por falta de propaganda. Por outro lado, a associação “mulher gostosa – cerveja”, “festa – cerveja”, “balada – ice”, “felicidade – alcoolismo” vai ficar cada vez mais fraca, cada vez mais menos freqüente na cabeça da população – especialmente na cabeça de crianças e adolescentes. E é disso que nós precisamos. Não podemos seguir achando normal que 33 milhões de brasileiros consumam álcool em excesso. Não podemos achar que é mera coincidência o fato de 70% dos laudos cadavéricos de mortes violentas indicarem a presença de álcool no organismo

Se você quer saber mais sobre o assunto, experimente visitar o Blog Uniad. Em meio a tanta informação desencontrada (e manipulada), é bom encontrar informação baseada em estudos científicos – e não simples “achismo”. Ou então faça uma busca no Scielo, onde você vai poder achar vários estudos sérios e bem conduzidos.

Leitura recomendada:

E se você quer ajudar…

Você pode colher assinaturas para o Movimento Propaganda Sem Bebida. O Manifesto e o abaixo-assinado estão disponíveis no site. É só imprimir e começar a colher assinaturas. A meta é chegar a 1 milhão – e a gente pode ajudar. Lembre-se: os signatários tem de ser eleitores (ter mais de 16 anos) e cada pessoa só pode assinar uma vez.

segunda-feira, 7 abril at 4:38 pm 4 comentários

Brincando de mulherzinha

Ontem estava andando na rua e vi uma mulher com uma bebê, de uns oito ou nove meses. Devia ser sua filha, pela feição, pelos cabelos, pelo jeito que as duas se comunicavam com o olhar. Elas pararam na banca de revistas e eu, com a minha mania de antropóloga amadora, parei do lado para observar – discretamente.

A bebê usava um anelzinho de bolinha no seu-vizinho da mão direita. No bracinho esquerdo, uma pulseirinha – também de bolinhas. Brincos de bolinha, faixinha “espreme-o-cérebro” com fuxicos,  vestidinho. Um autêntico projeto de perigosa peruinha, mas sem exagero. Linda, como são lindas todas as meninas dessa idade.

Então me lembrei da minha mãe. Ela conta que eu não ficava com anéis, pulseira, correntinha. Brincos, só usava os de argolinha porque não havia como eu arrancá-los. Até hoje eu sou assim: se por um lado sinto falta dos meus brincos e do meu anel assim que cruzo a porta em direção à rua, ao chegar em casa eles ficam ao lado das chaves na chapeleira. Acessórios, em casa, me pesam como se fossem bigornas gigantes penduradas. Até gosto de um colar, de uma pulseira, mas não me fazem falta nenhuma.

É nos cheiros e nas cores que minha mulherzice aflora. Gosto de sentir o cheiro do xampu, do hidratante, do sabonete quando saio do banho. De olhar para as minhas unhas curtinhas e vermelhas. Dos lábios com cor de chocolate e dos cílios pretos. De passar pela nuvem de perfume antes de sair de casa.

Quantas vezes, naqueles momentos tão preciosos (e tão necessários) de hidratar as mãos, me senti meio Macabéa e tive vontade de comer o creme de maracujá. É tão amarelo, tão perfumado que consegue ser mais apetitoso que a melhor das sobremesas. E o xampu de açaí? Minha glicemia se altera só de sentir o perfume. Poucas coisas são tão refrescantes quanto o hidratante de iogurte. E ainda tem a loção de frutas, o sabonete de andiroba, o óleo de buriti, sem falar no morango e no chocolate dos cabelos. Às vezes me pego imaginando o estrago que a cosmética moderna faria no estado mental da pobre Macabéa. (Eu conheço uma moça mui linda que quase comeu o sabonete de cupuaçu, mas agora parece que ela pegou gastura do cupuaçu e trocou pelo limão – que combina com a personalidade dela, segundo uma desaforada.)

E as cores? Há quem diga que mulheres que querem conquistar um amor devem pintar os olhos e as que querem conquistar uma aventura devem colorir os lábios. Espero que não seja verdade, ou minhas alergias constantes me impedirão de conquistar um amor: olhos negros somente em ocasiões muito especiais. Nunca li nada sobre as cores das unhas – embora tenha ouvido uma teoria interessante sobre as unhas pálidas e decidido adotar as cerejas, framboesas e jabuticabas nas minhas unhas curtinhas a partir de então.

Esses pequenos mimos têm o poder de restaurar o meu humor. Tem poder de colo quando meus refúgios estão longe. Se acompanhados de uma xícara de chá de hortelã fresco – como agora – conseguem transformar um dia que já começou tenso e que foi vivido em quase-choque em uma noite feliz. Descanso. Força. É isso que meus cheiros e cores fazem por mim: me fazem repousar ao mesmo tempo que me dão certeza que eu vou conseguir dar conta do que vem por aí.

sexta-feira, 9 novembro at 11:47 pm 8 comentários

Papo Psi: “(…) mas se o drogado fosse meu filho (…)”

Contexto:
(1) Para quem não sabe, eu pesquiso fatores de risco em adolescentes para uso de substâncias psicoativas. Desde fevereiro é isso que norteia pelo menos metade das minhas leituras, dos meus escritos, da minha participação em fóruns, congressos e seminários. Isso faz de mim uma chata que tem cinco pares de antenas permanentemente ligadas quando o assunto é uso de substância (de cigarro e álcool a ketamina). Apesar de saber que ainda tenho muita coisa para aprender, já sei umas poucas coisas que me fazem posicionar de uma forma um pouco mais incisiva quando o assunto é esse.

(2) Como estudante da área de Saúde (na Psicologia isso é meio nebuloso, mas vamos deixar assim aqui), eu espero um comportamento de Profissionais da Área de Saúde dos outros estudantes dessa área. O que é isso? Resumindo, falo em comprometimento ético, estudo, leitura, atenção triplicada aos próprios discursos e preconceitos. Entrou na faculdade, você já é profissional. Se comporte como tal.

Os fatos:
Lá estava eu, devolvendo uma pilha de livros para retirar outra na biblioteca. Até que chega aos meus ouvidos: “Mas se o DROGADO fosse meu filho(…)”; “Porque o DROGADO (…)”. Aquele DROGADO ecoou no meu cérebro. Vindo de um grupinho vestido de branco, doeu ainda mais. Se antes de começar a estudar Transtornos Relacionados ao Uso de Substância eu já tinha uma birra danada das palavras DROGADO e MACONHEIRO, agora a coisa piorou. A birra agora é contextualizada, marcada, cientificamente fundamentada.

Alguns estudos já recomendam que não se use mais o termo “Droga” para se referir a substâncias psicoativas. Primeiro porque o termo “droga” no senso comum não abarca o álcool e o cigarro (que são substâncias psicoativas com tantos danos – individuais e sociais – quanto as outras, sendo as primeiras substâncias causadoras de dependências no mundo, segundo a OMS). Segundo, porque “droga” tem uma conotação de coisa ruim e é um termo altamente preconceituoso, impedindo o diálogo já no começo.

Calma aí, Carla, você está dizendo que drogas são boas? Claro que não, padawan. Mas se você trabalha com um obeso, vai dizer para ele parar de ser guloso? Se você trabalha com um sedentário, vai dizer para ele largar mão de ser preguiçoso? É a mesma coisa com usuários/dependentes de substância: no momento em que você coloca nele a “culpa” pelo problema, acabou a empatia, acabou o diálogo.

Discursos revelam preconceitos. E para se trabalhar com questões como o abuso de substâncias não se pode ter preconceito. Para se trabalhar com adolescentes, então, menos ainda. Adolescentes são contestadores por natureza e precisam de um espaço de escuta. A política do “cala a boca que eu sei” não funciona com eles.

Nem todo adolescente que experimentar substância, se tornará dependente químico. Nem toda pessoa que faz uso de substância é dependente químico. A evolução de um quadro de uso experimental para um quadro de dependência está ligada a uma série de fatores, que vão de marcadores genéticos e existência de outros transtornos mentais (transtornos de ansiedade e depressão, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, esquizofrenia, para citar alguns) a fatores ambientais (adolescentes que não tem contato com álcool dificilmente se tornarão alcoolistas, por exemplo). A priori, não há como saber quem se tornará dependente e quem se manterá nos quadros de uso experimental ou recreativo: é uma loteria perversa. Talvez seja essa a maior razão para a preocupação de quem está perto desses adolescentes – pais, professores, profissionais da área de saúde – em relação a fatores de risco e proteção, elaboração de políticas públicas de prevenção, distribuição e propaganda (especialmente no caso do álcool e do cigarro) e de ações preventivas ou de intervenção onde o uso já está instalado.

Como disse a Dra. Analice Gigliotti na abertura do último Congresso da ABEAD, precisamos cuidar dos nossos jovens. E isso se faz com conhecimento, respeito e atenção. Jamais com preconceito.

Para saber um pouco mais:

quarta-feira, 26 setembro at 7:38 pm 8 comentários

27 Citações: Marley e Eu (John Grogan)

Um dia de manhã, não muito depois de Marley ter abandonado o seu hábito de pular em cima das pessoas, acordei e minha mulher estava de volta. Minha Jenny, a mulher que eu amava, que desaparecera no meio daquela espessa bruma azul, havia voltado para mim. Da mesma forma como a depressão pós-parto se instalou, acabou indo embora. Como se ela tivesse sido exorcizada. Todos os demônios haviam ido embora. Embora parra sempre. Ela estava forte, pra cima, não apenas enfrentando as situações de uma jovem mãe de dois filhos, mas conseguindo fazer isso com sucesso. (John Grogan. Marley e Eu. p. 158)

Esse ano ganhei bons presentes de aniversário. Não que tenha sido diferente dos anos anteriores, mas os presentes desse ano estão mais presentes, mais frescos na memória.

Um dos presentes mui especiais foi Marley e Eu. (Valeu, Verox!) A história da formação de uma família e da sua relação com um cachorro adorável e estabanado resulta numa leitura deliciosa. Aqueles livros que você lê economizando, porque é gostoso de ler e também porque acaba trazendo muita coisa da sua vida (ou será que sou eu que estou num momento Marley e Eu?)

É muito interessante ver a depressão pós parto de Jenny pelos olhos de John. É dolorido também. A depressão pós parto existe, é um problema de saúde pública e vai muito além de ser ou não “uma boa mãe”. Compreender os seus sintomas e saber como procurar tratamento é fundamental quando se fala em formação de famílias saudáveis.

sexta-feira, 11 maio at 12:00 pm 7 comentários

Off-topic: Mobilização contra a redução da maioridade penal

Eu poderia escrever cento e duzentos posts aqui dizendo por quê sou contra a redução da maioridade penal. Outros cento e duzentos dizendo por quê sou a favor da descriminalização do aborto. Mas não quero. Não é objeto desse blog criar polêmicas. A propósito, deixo já um aviso: qualquer comentário que crie qualquer tipo de discussão desagradável será sumariamente deletado, aqui e em qualquer outro post. A casa é minha e eu gosto de casa limpa.

Prelúdio feito, vamos ao que interessa. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal aprovou, no último dia 26 de abril, o Substitutivo do artigo 228 da Constituição Federal. O projeto, que reduz a maioridade penal para 16 anos, vai agora para votação no Senado. Se você também acha que esse substitutivo é um movimento puramente eleitoreiro e que há outras formas de reduzir o impacto da criminalidade na nossa sociedade, manifeste-se. O Conselho Federal de Psicologia disponibiliza, na sua página, uma manifestação para ser enviada aos senadores. Não é necessário ser psicólogo para colaborar: basta clicar aqui e colocar seu e-mail.

Obrigada.

quinta-feira, 3 maio at 7:53 pm Deixe um comentário

Transtorno Afetivo Bipolar por alguém que o conhece de perto

O transtorno bipolar é uma doença que, como qualquer outra, precisa ser corretamente diagnosticada e tratada com medicamentos. É uma doença mental? É. O cérebro produz de forma atípica alguns neurotransmissores para nossa saúde mental. O motivo? Ainda não se sabe com precisão. É genético? Os estudiosos entendem que sim. Pode incapacitar a pessoa de exercer suas atividades rotineiras? Quem sofre de TAB é retardado? Não.

Suzi Hong escreve um ótimo texto sobre o TAB.

Suzi Hong escreve ótimos textos sobre tudo, aliás.

sexta-feira, 16 março at 1:36 pm Deixe um comentário


Agenda

agosto 2017
D S T Q Q S S
« ago    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

Posts by Month

Posts by Category