Voltando pra casa

quinta-feira, 31 janeiro at 4:11 pm 7 comentários

Depois de uma semana de frio e chuva em São Paulo, a primeira coisa que eu encontro quando saio de casa é uma F-250 rebaixada, com os vidros cobertos por filme escuro e a caçamba cheia de auto-falantes tocando a música da piriguete. Dentro da cabine, dois bombadões fazendo cara de “olha como eu sou lindo, mamãe”. Nada como estar em casa.

Eu não posso negar que Cascavel é uma cidade boa de se viver: aqui tenho acesso a medicina de ponta, é uma cidade relativamente segura, o custo de vida é baixo, eu tenho a minha família e alguns bons amigos aqui. Temos um vento nojento que nos castiga no inverno, mas nos salva do inferno no verão. A educação, se não é a melhor, não é a pior do Brasil: temos uma universidade pública, gratuita e (realmente) de qualidade e estudar em um dos colégios ditos “de ponta” aqui me garantiu aprovação no vestibular em algumas das melhores universidades do Brasil em 1997.

Mas falta muita coisa aqui, pelo menos para mim. Além dos cinemas, restaurantes, bares e lojinhas, falta gente. Não falo de quantidade, mas das gentes certas. Também me falta uma filial da Livraria da Vila, com a Sabrina na sessão de livros infanto-juvenis. O que me faz sentir mais saudade de São Paulo são os amigos que eu deixo sempre que volto de lá.

Me faz falta mandar uma mensagem para a Lu e encontrar com ela “embaixo das pernas do MASP”.  Me faz falta fazer comprinhas na Liberdade e no Brás. Me faz falta ir ao Frans da Haddock Lobo com o André (e ser politicamente incorreto). E comer comida chinesa de verdade com a Elis. Me faz falta ficar até de madrugada conversando sobre a vida, o universo e tudo o mais com gente que tem o que dizer e assistir o nascimento de campanhas destinadas ao sucesso. Me fazem falta as exposições que eu não vi, seja na Língua Linguaruda ou na Pinacoteca. Me fazem falta fins de semana como o último, onde eu reencontrei e conheci tanta gente tão bacana que os próximos fins de semana parecem de uma sem-gracisse cinza tão grande que até desanima.

Por isso, quando eu entro no ônibus de volta pra casa, meu sentimento é dúbio: eu não consigo saber se eu estou indo ou se eu estou voltando.

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Metas, objetivos e resoluções para 2008 – depois da fuzarca Borba Gato na Paulista: Eu apóio essa campanha.

7 Comentários Add your own

  • 1. André Eiras  |  quinta-feira, 31 janeiro às 4:39 pm

    Esqueceste de comentar o que de melhor te aconteceu em toda a viagem.

    ME CONHECER!!😉

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  • 2. Lello Lopes  |  quinta-feira, 31 janeiro às 4:40 pm

    Olá querida, foi um prazer imenso ter te conhecido. Se os caras do Lost quiserem podem me contratar, já que eu continuo facinho! Ehehehhe
    Ah, o Darth Vader ficou muito bem na geladeira. Muito obrigado. Bjs!!!

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  • 3. Marília  |  quinta-feira, 31 janeiro às 6:14 pm

    Essas idas e vindas… a gente acaba deixando uma parte nossa em cada lugar…
    Por um lado é bom: a gente sempre tem um cantinho pra voltar, em qualquer lugar!

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  • 4. Trotta  |  sexta-feira, 1 fevereiro às 3:34 pm

    Carlota, foi um prazer te conhecer e compartilhar essas boas risadas! E que da próxima vez a gente vá numa casa de espeto melhorzinha, né? Hehehe! Beijos!

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  • 5. Sam Shiraishi  |  sexta-feira, 1 fevereiro às 8:05 pm

    Ah, Carla, como paranaense que só começou a se sentir em casa em São Paulo, eu tenho certa dificuldade de entender uma escolha como a sua. Mas respeito -e muito- porque as escolhas são o pão da vida. Sem elas não haveria nada.
    Desejo bom retorno e sinto que sua estadia aqui tenha sido de clima tão estranho… mas já voltou ao normal, viu? Hoje foi um dia perfeito!
    P.S. Sempre leio o blog no google reader e acho que é primeira vez que vim aqui para comentar!

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  • 6. Euni  |  sábado, 1 março às 1:02 am

    Carla,

    Conheço bem a sensação. ãs vezes parece que voltar é uma daquelas operações em que se divide um número pela metade, e o resultado novamente pela metade, repetindo a operação infinitas vezes, chegando-se cada vez mais próximo do zero, sem nunca chegar.

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  • 7. Euni  |  sábado, 1 março às 1:03 am

    P.S.: Escrever no escuro dá nisso: til ao invés de crase e maiúsculas. Mas a penumbra com Dimple, tilsit e Baden Baden compensa os erros de digitação.

    Responder

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