Archive for setembro, 2007

Papo Psi: “(…) mas se o drogado fosse meu filho (…)”

Contexto:
(1) Para quem não sabe, eu pesquiso fatores de risco em adolescentes para uso de substâncias psicoativas. Desde fevereiro é isso que norteia pelo menos metade das minhas leituras, dos meus escritos, da minha participação em fóruns, congressos e seminários. Isso faz de mim uma chata que tem cinco pares de antenas permanentemente ligadas quando o assunto é uso de substância (de cigarro e álcool a ketamina). Apesar de saber que ainda tenho muita coisa para aprender, já sei umas poucas coisas que me fazem posicionar de uma forma um pouco mais incisiva quando o assunto é esse.

(2) Como estudante da área de Saúde (na Psicologia isso é meio nebuloso, mas vamos deixar assim aqui), eu espero um comportamento de Profissionais da Área de Saúde dos outros estudantes dessa área. O que é isso? Resumindo, falo em comprometimento ético, estudo, leitura, atenção triplicada aos próprios discursos e preconceitos. Entrou na faculdade, você já é profissional. Se comporte como tal.

Os fatos:
Lá estava eu, devolvendo uma pilha de livros para retirar outra na biblioteca. Até que chega aos meus ouvidos: “Mas se o DROGADO fosse meu filho(…)”; “Porque o DROGADO (…)”. Aquele DROGADO ecoou no meu cérebro. Vindo de um grupinho vestido de branco, doeu ainda mais. Se antes de começar a estudar Transtornos Relacionados ao Uso de Substância eu já tinha uma birra danada das palavras DROGADO e MACONHEIRO, agora a coisa piorou. A birra agora é contextualizada, marcada, cientificamente fundamentada.

Alguns estudos já recomendam que não se use mais o termo “Droga” para se referir a substâncias psicoativas. Primeiro porque o termo “droga” no senso comum não abarca o álcool e o cigarro (que são substâncias psicoativas com tantos danos – individuais e sociais – quanto as outras, sendo as primeiras substâncias causadoras de dependências no mundo, segundo a OMS). Segundo, porque “droga” tem uma conotação de coisa ruim e é um termo altamente preconceituoso, impedindo o diálogo já no começo.

Calma aí, Carla, você está dizendo que drogas são boas? Claro que não, padawan. Mas se você trabalha com um obeso, vai dizer para ele parar de ser guloso? Se você trabalha com um sedentário, vai dizer para ele largar mão de ser preguiçoso? É a mesma coisa com usuários/dependentes de substância: no momento em que você coloca nele a “culpa” pelo problema, acabou a empatia, acabou o diálogo.

Discursos revelam preconceitos. E para se trabalhar com questões como o abuso de substâncias não se pode ter preconceito. Para se trabalhar com adolescentes, então, menos ainda. Adolescentes são contestadores por natureza e precisam de um espaço de escuta. A política do “cala a boca que eu sei” não funciona com eles.

Nem todo adolescente que experimentar substância, se tornará dependente químico. Nem toda pessoa que faz uso de substância é dependente químico. A evolução de um quadro de uso experimental para um quadro de dependência está ligada a uma série de fatores, que vão de marcadores genéticos e existência de outros transtornos mentais (transtornos de ansiedade e depressão, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, esquizofrenia, para citar alguns) a fatores ambientais (adolescentes que não tem contato com álcool dificilmente se tornarão alcoolistas, por exemplo). A priori, não há como saber quem se tornará dependente e quem se manterá nos quadros de uso experimental ou recreativo: é uma loteria perversa. Talvez seja essa a maior razão para a preocupação de quem está perto desses adolescentes – pais, professores, profissionais da área de saúde – em relação a fatores de risco e proteção, elaboração de políticas públicas de prevenção, distribuição e propaganda (especialmente no caso do álcool e do cigarro) e de ações preventivas ou de intervenção onde o uso já está instalado.

Como disse a Dra. Analice Gigliotti na abertura do último Congresso da ABEAD, precisamos cuidar dos nossos jovens. E isso se faz com conhecimento, respeito e atenção. Jamais com preconceito.

Para saber um pouco mais:

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quarta-feira, 26 setembro at 7:38 pm 8 comentários

Inteligência é fundamental

Agora eu tenho, a causa do nosso problema
Miséria e fome derrotam, derrotam nossa nação
Pra completar tem, tem, tem
Violência ao cidadão
Precisamos sim, fazer por nossos irmãos
Com a ajuda de Deus
(Duvida?) E por que não?
Então vai lá, vai lá cidadão
Faça por você
Não se sinta um derrotado
E lute pra sobreviver

Moro no Brasil
Não sei se eu moro muito bem ou muito mal
Só sei que agora faço parte do país
A inteligência é fundamental

(Depois da Semana Farroupilha bem que podia ter a Semana Carioca – pra morrer dançando, a Semana Paulistana – pra encontrar a famiglia, a Semana Mineira – pra morrer comendo, a Semana Paraense – pra comer jambu e a Semana Maranhense – pra curtir uns Lençóis. Isso tudo de férias, claro. Coisa que está bem distante da minha vida, por isso tão próxima do meu blog. Volto depois do dia 10 com a programação normal – que é eu indo e vindo mesmo.)

segunda-feira, 24 setembro at 9:01 pm 2 comentários

Meu blog em 2012 (parte II de III)

Continuando a conversa (talvez um dia eu aprenda a ser menos prolixa, mas não é o caso agora) sobre o meu futuro bloguístico, falemos de presente e futuro.

Analisando meus textos ao longo do tempo eu percebo duas coisas: (1) eu mudei bastante; (2) eu não mudei nada. Como assim, padawan?

Simples.

Eu sigo nerd, umbiguista, acreditando nas pessoas. Eu sigo com um humor cáustico. Eu sigo tendo exatamente as mesmas crises que antes. Um pouco mudou, é lógico, tanto tempo (e dinheiro) investido em análise não pode ser a toa. Talvez eu tenha mudado muito (quem diria, há um ano, que eu viajaria só para o Rio de Janeiro e faria tantos contatos por lá?). De qualquer forma, dos blogs que eu tive e que seguem no ar, alguns textos me são muito caros. Por exemplo:

São esses, o top 5. Daí dá para ter uma idéia (ou não) de como será esse blog em 2012. Mas as previsões vêm no próximo capítulo dessa novela. 😉

quarta-feira, 19 setembro at 12:00 pm 2 comentários

50 músicas que marcaram a minha vida: These are the days (10 000 Maniacs)

Esses são os dias que você vai lembrar: nem antes, nem depois, eu prometo, o mundo vai ser tão bom como agora. E quando você sentir, vai saber que é verdade, e que você é abençoado e afortunado. É verdade que você foi iluminado, e algo vai crescer e florescer em você. Esses são os dias que você vai lembrar. Quando Setembro passar por você cheio de desejo, mostrando partes dos milagres que você vê todas as horas, você vai saber que é verdade. Que você é abençoado e afortunado, foi iluminado e tocado por algo que vai crescer e florescer em você. Nesses dias em que você vai rir até doer a barriga, você vai sentir uma réstia de luz chegar até seu rosto. E quando isso acontecer, você vai saber que era para ser assim. Vai ver os sinais e entender o que eles queriam dizer. Porque era pra ser assim. Ouça os sinais e entenda o que eles querem dizer para você.

(Faz, no mínimo, 8 anos que eu ouço essa música e nunca tinha parado para ouvir a letra. Taí a letra. Deus fala com a gente em cada coisinha da nossa vida. Basta ter atenção para ouvir.)

terça-feira, 18 setembro at 12:00 pm Deixe um comentário

Uma boa semana!

 O Sorriso

Porque eu só tenho mais quatro semanas do lado da minha amiga querida antes dela ir embora para Barcelona e vou aproveitar cada segundo dessas quatro semanas. Porque eu vou fazer um pedação da minha pesquisa e o resultado vai ser lindo. Porque eu estou lendo um livro ótimo sobre dependência química e adolescência. Porque eu vou estudar pra prova mais difícil do ano (ou a que tem mais conteúdo) e nem assim estou assustada. Porque eu posso receber visitas em duas semanas. Porque na quinta feira eu vou ver a Matita Perê. Porque na sexta feira eu vou encontrar o Rafa (e vou ouvir a risada gostosa dele) e vou pra balada com a Verox (e com a Lele) e ainda posso encontrar o André. Porque meu Lattes vai engordar mais um pouquinho. Porque eu vou escrever um texto sobre a minha coisa lilás pra mandar pro Cintaliga. Porque eu tenho um sorriso lindo e isso já foi discutido por aí. Porque eu estou eufórica e isso não é uma crise de mania, seus chatos! Porque depois que eu descobri o que eu quero ser quando crescer a minha vida só fez melhorar.

Por isso tudo, essa será uma boa semana.

Para mim e para você também.

domingo, 16 setembro at 11:18 pm 3 comentários

Uma Nhá-Benta de Copenhague

(outro post relatório-diarinho)

Revertério total aqui. De repente eu tenho um mês pra terminar a mono, pra escrever um artigo, pra embalar um sonho. (Que não é sonho de doce de leite, mas é tão gostoso quanto.) Mas a vida é assim mesmo: a gente tem que fazer o que a gente tem que fazer.

Mas esse post é só pra avisar que tem um texto meu na Colônia de Férias do Marmota, que está perdido na Europa e vai trazer uma Nhá-Benta de Copenhague para mim!

domingo, 16 setembro at 10:29 am 1 comentário

27 citações: Modernidade Líquida (Zygmunt Bauman)

Não [há] mais grandes líderes para lhe dizer o que fazer e para aliviá-lo da responsabilidade pela conseqüência de seus atos; no mundo dos indivíduos há apenas outros indivíduos cujo exemplo seguir na condução das tarefas da própria vida, assumindo toda a responsabilidade pelas conseqüências de ter investido a confiança nesse e não em qualquer outro exemplo. (p. 39)[…]
Essa obra de arte que queremos moldar a partir do estofo quebradiço da vida chama-se “identidade”. Quando falamos de identidade há, no fundo de nossas mentes, uma tênue imagem de harmonia, lógica, consistência: todas as coisas que parecem – para nosso desespero eterno – faltar tanto e tão abominavelmente ao fluxo de nossa experiência. A busca da identidade é a busca incessante de deter ou tornar mais lento o fluxo, de solidificar o fluido, de dar forma ao disforme. Lutamos para negar, ou pelo menos enconbrir, a terrível fluidez logo abaixo do fino envoltório da forma; tentamos desviar os olhos de vistas qu eeles não podem penetrar ou absorver. Mas as identidades, que não tornam o fluxo mais lento e muito menos o detêm, são mais parecidas com crostas que vez por outra endurecem sobre a lava vulcânica e que se fundem e dissolvem novamente antes de ter tempo de esfriar e fixar-se.
(p. 97)
Modernidade Líquida. Zygmunt Bauman. Jorge Zahar Editor, 2001.

(Chega de citar, senão eu coloco o livro inteiro.) Em Modernidade Líquida, Bauman analisa cinco conceitos que organizam a vida humana: emancipação, individualidade, tempo/espaço, trabalho e comunidade. Ele traça o cenário da mudança desses conceitos na assim chamada pós-modernidade. E discute muita coisa que a gente percebe por aí, mas as vezes nem pára para pensar.

É uma leitura densa e ao mesmo tempo gostosa. Vale a pena dedicar umas horas da sua vida para pensar sobre ela com algum subsídio, digamos assim, científico.

sexta-feira, 14 setembro at 12:00 pm 2 comentários

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