Archive for maio, 2007

Xô, urubu! (Com update)

Se há uma prática social que me irrita é o “telefone sem fio”. Não falo do aparelho, mas da prática social de passar adiante histórias que não dizem respeito aos dois lados da conversa.

Em uma praça daqui de Cascavel há uma placa do Rotary Club. Essa placa traz a prova quádrupla, da história das quatro peneiras. A prova quádrupla é uma forma de saber se devemos ou não falar algo. São quatro perguntas simples, mas muito importantes:

  • Tenho certeza que o que vou dizer é verdade?
  • É justo para todos os interessados que eu diga isso agora?
  • Há vantagens em falar isso, criará novas amizades ou boa vontade entre o grupo?
  • Será benéfico para os envolvidos que eu fale?

Pois bem. Todas as conversas de telefone sem fio passam pelas peneiras e não deveriam ser passadas adiante. A quem elas servem? Por que usamos o telefone sem fio para transmitir o que pensamos ou, ainda, para criar discórdia?

Aliás, por que gostamos tanto de semear a discórdia?

É triste pensar que muitas vezes nós, mesmo dizendo buscar a evolução, a boa vontade, a compreensão, nos enredamos em conversas que semeiam a discórdia. Muitas vezes não há bondade, apenas o intuito de “alertar”. Mas semeamos a discórdia cotidianamente.

Bom seria se todos tivéssemos a coragem necessária para falar o que dizemos. O mundo seria bem menos complicado.

Update: Os textos desse blog não são escritos na hora que vão para o ar. Eles são revisados. Depois vão para o ar. E eu fico relendo e relendo. Pois bem: ali onde diz “Muitas vezes não há bondade (…) ” era para ser “Muitas vezes não há maldade (…)”. Em Psicanálise, isso se chama ato falho: falar algo que não era bem o que se tinha em mente, mas que é o que se pensa na verdade. Enfim, é isso: a prática do telefone sem fio não é sinal de bondade. É maldade sim. Então o “erro” vai ficar no texto.

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terça-feira, 22 maio at 12:00 pm 2 comentários

Power Bloggers: Luiza Voll

O Favoritos, o blog da Luiza, tem uma proposta simples e brilhante: ela dá dicas de sites bacanas espalhados pela web. É como se ela abrisse (oh!) os favoritos dela para a gente.

A Luiza me fez conhecer os cartões virtuais mais sinceros, um site que tem fotos de cafés lindos, o jogo mais fofo. Se você não tem tempo a perder, visite a Luiza agora! (Você vai perder muito tempo, mas vai se divertir bastante!

segunda-feira, 21 maio at 12:00 pm 1 comentário

Mais que mil palavras

Esperando o brinde

domingo, 20 maio at 12:00 pm 1 comentário

O que faz você feliz?

Um belo pedaço de pão integral. Uma bela caneca de caldo de milho. Um pacote esperando na caixa de correio. Amigos. Janelas pipocando no MSN. Música boa. Abraço de pai. Colo de mãe. Conversa de irmão. Amigos presentes. Um bom filme. Uma bacia de pipoca doce. Boa companhia. Cafuné. Uma cesta de pães de queijo. Chocolate meio amargo. Castanhas do Pará. Sabonetes perfumados. Banho quente. Óleo de banho de maracujá. Salão de beleza. Unhas bem feitas. Pele hidratada. Uma xícara de chá. Uma hora de corrida. Treinar direitinho. Mudar o treino. Um livro gostoso. Jogar bola com a Pimenta. Cheirinho de bebê. Carregar bebê no colo. Fotografar. Revelar. Ampliar. Mostrar pra todo mundo e receber elogio. Fazer arroz doce. Bater um bolinho. Escrever diariamente. Dez na faculdade, onze na vida. Alunos bons. Capuccino.

quarta-feira, 16 maio at 3:36 pm 5 comentários

Mais que mil palavras

Um feliz Dia das Mães pra quem é mãe (e pra quem não é também, oras!)

Inflorescência.

E que Nossa Senhora de Fátima nos abençoe! (Vou poupar vocês da cantoria do Treze de Maio.)

domingo, 13 maio at 12:00 pm 1 comentário

27 Citações: Marley e Eu (John Grogan)

Um dia de manhã, não muito depois de Marley ter abandonado o seu hábito de pular em cima das pessoas, acordei e minha mulher estava de volta. Minha Jenny, a mulher que eu amava, que desaparecera no meio daquela espessa bruma azul, havia voltado para mim. Da mesma forma como a depressão pós-parto se instalou, acabou indo embora. Como se ela tivesse sido exorcizada. Todos os demônios haviam ido embora. Embora parra sempre. Ela estava forte, pra cima, não apenas enfrentando as situações de uma jovem mãe de dois filhos, mas conseguindo fazer isso com sucesso. (John Grogan. Marley e Eu. p. 158)

Esse ano ganhei bons presentes de aniversário. Não que tenha sido diferente dos anos anteriores, mas os presentes desse ano estão mais presentes, mais frescos na memória.

Um dos presentes mui especiais foi Marley e Eu. (Valeu, Verox!) A história da formação de uma família e da sua relação com um cachorro adorável e estabanado resulta numa leitura deliciosa. Aqueles livros que você lê economizando, porque é gostoso de ler e também porque acaba trazendo muita coisa da sua vida (ou será que sou eu que estou num momento Marley e Eu?)

É muito interessante ver a depressão pós parto de Jenny pelos olhos de John. É dolorido também. A depressão pós parto existe, é um problema de saúde pública e vai muito além de ser ou não “uma boa mãe”. Compreender os seus sintomas e saber como procurar tratamento é fundamental quando se fala em formação de famílias saudáveis.

sexta-feira, 11 maio at 12:00 pm 7 comentários

Power Bloggers: Orlando Tosetto

Orlando é o Iggy Pop da blogosfera brasileira. Uma espécie de porta-voz dos desejos secretos que outras pessoas escondem. Aquele que fala as verdades, sabe?

Ele é uspiano, trabalha em uma instituição importante, é palmeirense e muito gente boa. Dessa vida que leva, ele traz coisas pro blog:

Aliás, é “comunidade” pra cá, “comunidade” pra lá; tratamos pedaços da cidade, famílias, estratos sociais como se fossem tribos. “Naquela comunidade é assim”, como se falássemos de tapuias comedores de gente. Me enche o saco. Civilização devia ser outra coisa.

Além disso, ele escreve ficção. A história de Paola Itagyba é a melhor novela dos últimos tempos. (Posso chamar de novela, Mestre?)

Os pais de Paôla passavam por aquilo que se chama uma quadra difícil. Por um lado, a filha os vinha aborrecendo: eram cuidados, gastos, cansaços, um esforço para entender os tartamudeios irritados, um esforço para consolar – cada vez menos, cada vez pior – os choros da menina. Essas circunstâncias os enchiam de um ressentimento surdo: o pai, por exemplo, achava que a surra dada nos Tamarindo encerrava satisfatoriamente as complexas obrigações cominadas à honra de um pater familias, e que, afora isso, tudo o mais que a filha podia esperar dele era um sorriso encorajador aqui e ali; a mãe sentia a falta do dinheiro que ia em remédios e fonoaudiologia, e não tinha muita paciência com as melancolias da acidentada. Os Itagyba empobreceram em tempo e em dinheiro, numa situação que figurava insolúvel.

(Será muita sacanagem colocar aqui um trecho do fim da história? Se for, perdoem-me os leitores ofendidos.)

Se eu pudesse escolher um só blogueiro para receber um milhão de dólares para escrever, ficaria difícil pacas. Se eu pudesse dividir essa quantia em porções iguais, distribuiria entre mim – que não sou hipócrita – e os outros powerbloggers dessa série (os que vieram e os que virão). Mas do Orlando eu exigiria que ele escrevesse mais, escrevesse sempre. Porque ler o Orlando é uma delícia (só comparável a tomar coca cola na Paulista em véspera de Natal na companhia do Orlando, obviamente).

quarta-feira, 9 maio at 10:00 am 6 comentários

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