Archive for março, 2007

10 000 visitantes e uma promoção

Queridos,

este blog está próximo de receber sua décima milésima visita. Isso muito me honra. Em comemoração a esse fato memorável, lanço aqui uma promoção.

Vocês já conheceram a Sra. Z. Ela deve aparecer por aqui mais vezes num futuro próximo (e num distante também). Nada mais justo que encontrar uma cara para a Sra. Z., certo?

Essa é a promoção: encontre uma cara para a Senhora Z. Vale qualquer coisa: desenho, fotografia, montagem. Ela usa luvas, essa é a única exigência. E mais nada.

Mande sua arte para carlinharegininha@hotmail.com até o dia 12/04. A eleição será por votação, entre 15 e 22 de abril. E o vencedor ganha um livro!

Quem se candidata?

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sexta-feira, 30 março at 12:00 pm 5 comentários

Só a Antropofagia nos une

É público e notório que comer é a minha forma predileta de conhecer o mundo. Quando falo de viagens que já fiz, sempre tenho um quitute para indicar. Quando falo das viagens que quero fazer, sempre há um desejo de comer um certo doce, uma certa pizza, um certo tempero. Talvez essa seja a melhor explicação para minha briga sem fim com a balança.

A partir desse prelúdio, fica fácil entender porque eu vivo a dizer que quero “comer” pessoas. Quando a coisa é muito boa, o adjetivo favorito é “gostoso”. Quando é muito ótima (existe isso?), é “delicioso”. E isso não tem nenhuma conotação sexual, apesar da do senso comum ao redor do verbo “comer”.

Falo em comer mesmo, deglutir, engolir. Antropofagizar para adquirir as características do guerreiro morto, como as civilizações primitivas (guerreiros covardes nunca eram comidos, afinal).

Foi pensando nessa questão que surgiu a idéia de fazer a lista das pessoas que eu quero comer. Comer, nhac, nhac, nhac, para adquirir de cada uma um pedacinho. Aquele pedacinho que as faz especiais demais para mim.

(Essa lista mescla pessoas muito famosas, pouco famosas, nada famosas, famosas no clubinho e outras classificações de fama que você pode imaginar aí.)

  1. Rafael Orlando: (Esse não é o nome dele, mas eu gosto de chamá-lo de Orlando) O Rafa é o irmão que eu escolhi. Uma espécie de irmão mais velho, que me puxa o tempo todo e me dá vários chacoalhões quando eu faço decisões não tão certas assim. Aquele irmão que na hora de ferver, ferve MESMO, porque está ali para as coisas boas e ruins. Ele é pós-moderno e isso não tem nada a ver com balanços. Minha maior fonte de sons nórdicos. Um gostoso que faz muita falta quando eu quero tomar café. Milk shake de Rafa é bom para quem quer – ou precisa – entender o lugar do Psicólogo na Pós Modernidade. Ou apenas ouvir sons bons!
  2. Bono Vox: Clichê total, eu sei. Mas é impossível para mim não fechar os olhos ao ouvir I Still Haven´t Found What I´m Looking For. É uma oração, já percebeu? Sopa de Bono deve ser boa para aqueles artistas fracassados ou então para aqueles que não sabem o que fazer com o sucesso.
  3. Felipe: Sabe aquele menino que pára em frente às caixas de som e fica balançando a cabeça ao som da música? Todo sério, todo introvertido, todo cabeça, mas ouve um Cascavelettes e curte aquilo com todas as células do seu corpo? Esse é o Felipe. Hamburguer de Felipe para quem não sabe aproveitar as coisas boas da vida.
  4. Maria Bethania: O que é essa mulher? Dei o primeiro suspiro por causa de Bethania ao ouvir “Imitação da Vida”. Ela nem cantava, declamava Álvaro de Campos. Todas as cartas de amor são ridículas. Ah, são. Mas eu escreveria mil cartas de amor inspirada pelas suas canções (que não são suas, eu sei). Souflé de Bethania para dar às emoções o seu devido peso.
  5. Ellen: (Let the gossip begin!) Ela pega os limões e faz limonadas. Ela é inteligente e bonita. Das melhores amigas que alguém pode ter. Eu tenho a leve impressão que ela chega a Presidente do BC, mas isso não é medida para sua luz. Caipirinha de Ellen para quem reclama da vida e não faz nada para melhorar.

E você, quem você comeria?


(Sei lá, me dá a impressão que o coro curte muito mais que o Bono cantar essa música. Não é gostoso?)

Update (06/04/07): Na missa de ontem eu me dei conta disso. Antropofagia não é nada de novo, tampouco exclusivo meu. Tem  coisa mais antropofágica que a Eucaristia?

quinta-feira, 29 março at 5:34 pm 5 comentários

27 Citações: O Homem e seus símbolos (Carl G. Jung – org.)

De acordo com vários mitos, o Homem Cósmico não significa apenas o começo da vida, mas também seu alvo final, a razão de ser de toda a criação. (…) Toda realidade psíquica interior de cada indivíduo é orientada, em última instância, em direção a este símbolo arquetípico do self.

Em termos práticos, isto significa que a existência do ser humano nunca será explicada por meio de instintos isolados ou de mecanismos intencionais como a fome, o poder, o sexo, a sobrevivência, a perpetuação da espécie etc. Isto é, o objetivo principal do homem não é comer, beber etc., mas ser humano. Acima e além desses impulsos, nossa realidade psíquica interior manifesta um mistério vivente que só pode ser expresso por um símbolo; e para exprimi-lo o inconsciente muitas vezes escolhe a poderosa imagem do homem cósmico.” (O Processo de Individuação. M – L von Franz. In: O Homem e seus símbolos – organizado por Jung)

Jung e Skinner brigam pelo meu amor constantemente. Ainda bem que falta muito para eu ter que escolher.p.s.: Sim, estou estudando demais. E trabalhando demais. E malhando. E estou num congresso BACANÉRRIMO de atenção domiciliar. E devo escrever novamente no sábado. (Fiquem com o Jung, ele é bem legal)

quarta-feira, 28 março at 11:49 pm 1 comentário

27 Citações: Teorias da Personalidade (Susan Clonninger)

Os mitos religiosos são talvez os mais importantes, proporcionando orientaçõs valorosas para a vida e para o desenvolvimento. Algumas pessoas não gostam da categorização da religião como mito e tendem a defender os postulados religiosos com padrões científicos. Exemplo disso é o debate entre evolucionismo e criacionismo. Julgar a relação com critérios científicos significa não compreender, e subestimar, a natureza do mito e é tão pouco sensato quanto mandar consertar uma máquina de lavar louça porque não assa um bolo. (Teorias da Personalidade. Susan C. Clonninger.)

Susan Clonninger dá um ótimo panorama sobre a obra de Jung e explica a importância de suas relações com a mitologia.

terça-feira, 27 março at 7:36 pm 2 comentários

50 Músicas que marcaram a minha vida: Minuetos em Sol Maior e Sol Menor BWV 114/115

O Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach é uma coleção de peças que eram executadas em saraus e pelos alunos de J. S. Bach. Além de obras de Bach, o Anna Magdalena (como é carinhosamente chamado pelos estudantes de piano) tem obras de Carl Phillip Emanuel Bach, François Couperin e várias obras de composição duvidosa. Há quem diga que algumas composições do caderno atribuídas a Bach são, na verdade, de Anna Magdalena. Tergiverso, enfim.

Os Minuetos em Sol Maior e Sol Menor, composições de Cristian Petzold – que você pode ouvir aqui – foram as primeiras peças do Anna Magdalena que eu toquei ao piano. (Há quem diga que não se deve estudar Bach ao piano, uma vez que suas composições foram feitas para Cravo, mas tergiverso de novo.) Você consegue imaginar algo mais marcante para alguém que começou a estudar piano escondido aos 17 anos (por medo de desistir e confirmar a teoria de que desistia de tudo – isso poderia ir para os clichês estereotípicos), movida pelas obras de Mozart e Bach? Lembro ainda hoje do cuidado que peguei o MEU Anna Magdalena pela primeira vez. É, dos livros que eu convivi nos últimos dez anos – ainda hoje recorro a ele quando surgem dúvidas nas adaptações para flauta-doce de suas obras – o mais bem cuidado, o mais acarinhado e, provavelmente, o livro de música que eu mais usei.

Costumo dizer que me considero quase pianista, mais quase que pianista. Hoje, nem piano tenho mais (e aqui caberia todo um discurso sobre arrependimento de deixar o instrumento versus a necessidade de cuidado que um piano requer ), mas ao ouvir essa gravação do Anna Magdalena, me arrepio e sinto muita saudade do tempo que podia sentar e tocar os minuetos. Por um motivo só: é muito bom tocar o que você toca bem. (Apesar de, depois dessa gravação, achar que nem toco tão bem assim.)

p.s.: P. Q. P. Bach, segundo ele mesmo filho renegado de J. S. Bach, escreve sobre o Caderno e deixa um link para você baixar e ouvir a excelente gravação de Gustav Leonhardt de algumas peças do Caderno.

segunda-feira, 26 março at 1:22 pm Deixe um comentário

Verbete

Calorias: (substantivo) Pequenos animais que vivem nos armários e que durante a noite liberam substâncias que fazem as roupas encolherem.

(Thanks Mô! )

sexta-feira, 23 março at 7:27 pm Deixe um comentário

Como criar um assassino

Inicie o trabalho com sua mãe. Não dê a ela, na sua infância, formas de compreender a maternidade. Não dê referências de maternidade. Não mostre o que é carinho, afeto, toque, corpo. Transforme sua vida em um servir sem motivos e sua corporeidade em um parque de diversões para outros.

Durante a gestação, a abandone. Assistência pré-natal? Isso é coisa para humanos. (Lembre-se: ela não foi humanizada.) Evite que ela tenha um parto em um local adequado, sob condições adequadas de higiene. Seja sob uma barraca na feira ou em um corredor de espera de hospital, faça com que seu parto seja uma experiência extremamente desagradável. Não dê opções para criar seu filho, fazendo com que jogá-lo no rio ou deixá-lo para morrer em meio à sujeira sejam opções tão boas quanto qualquer outra.

Pronto, você já tem o bebê. Agora é fácil. Retire-o da mãe, aquele monstro, e o entregue a uma instituição que não saberá o que fazer com ele. (Amontoar crianças sem condição nenhuma de educação é um ótimo meio de criar assassinos.) Escola? Não, coloque-o para trabalhar desde cedo. Trabalho pesado, lógico: carvoarias, vender drogas, curtir peles. (Ele não é humano, lembra? Educação é para humanos.) Faça com que ele não tenha nenhum tipo de marcação, seja na sua infância ou na sua adolescência. Maternagem, paternagem, castração? Isso é coisa de psicanalista maluco, você sabe bem.

Se ele demonstrar algum talento especial, oriente-o de forma a obter vantagens, mas não o ensine a lidar com seu desejo. Tenha sempre em mente que ele não é humano – afinal, você quer criar um assassino.

Seguindo essa receita, você provavelmente terá o seu menino. Daí para frente a vida se encarrega: Não tendo sido ensinado a lidar com o próprio desejo, ele usará de todas as forças para satisfazê-lo. Não tendo aprendido o que é ser humano, ele não agirá como tal. Não sabendo o valor que a vida tem, ele não verá esse valor na vida alheia. Nesse caminho, é bem possível que ele cometa algum crime hediondo – afinal, ele não sabe o que é crime, tampouco o que é hediondo.

Quando isso acontecer, suba no púlpito e o julgue. Diga que não há mais conserto (realmente, não há). Chame-o de monstro (realmente, é o que ele é). Condene-o. Clame que ele poderia ter escolhido outro caminho (você sabe que não poderia). A horda humana se juntará a você para condená-lo e colocará todos os seus ódios e suas forças para vingar-se.

Funciona. A modernidade garante.

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Sim, esse texto é absurdamente inspirado naquele filme. Mas eu não vou falar o nome aqui para não virar spoiler.

segunda-feira, 19 março at 6:29 pm 3 comentários

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