Longo e tenebroso inverno

sábado, 14 outubro at 3:07 am 3 comentários

Me irrita o fato de, as vezes, as coisas prometerem melhorar e não melhorarem.

Sentimentos parecerem acabar, mas não acabarem.

Dores anestesiarem-se, apenas para voltar com muito mais intensidade depois.

Alguém tem doril para a alma aí?

Por que o elevador custa tanto a parar no meu andar, e me deixar entrar em paz?

Update: Num claro sinal de zeitgeist (ou de que eu não faço idéia do que seja zeitgeist), a Gabs escreveu uma rica epifania. Gabs tem andado muito mais inspirada que eu…

Anúncios

Entry filed under: umbiguices.

27 citações: Palomar (Italo Calvino) 27 Citações: O ano do pensamento mágico (Joan Didion)

3 Comentários Add your own

  • 1. gabsfran  |  sábado, 14 outubro às 3:04 pm

    Oi linda… zeitgeist, que eu saiba, além de ser o nome de um ÓTIMA loja de CDs importados da Galeria do Rock (onde eu costumava gastar meu salário inteiro no meu tempo de gótica) quer dizer “tendência” ou “marca” de uma época….e vc tem razão…talvez essa melancolia essa apatia essa dor que não vai embora, seja realmente um zeitgeist….zeitgeist dos 30 anos heheh

    Não ando inspirada, não…as pessoas a minha volta me inspiram Aquele texto foi criado com inspiração em, no mínimo cinco amigo(as) que tb estão passando por esse tal de “zé do gáis” – (como a gente costumava brincar com a palavra zeitgeist

    Beijos, obrigada pela menção 🙂

    Responder
  • 2. Orlando  |  domingo, 15 outubro às 9:58 pm

    Zeitgeist quer dizer espírito do tempo. Weltanschauung, se bem me lembra, é visão de mundo. Palavrão é com alemão; não se esqueça do Stürmundrang, tempestade e trovões (ou vice-versa) dos românticos, que essa injustiçada J. K. Rowling satirizou, no quarto livro de Harry Potter, como Durmstrang. Não tenho doril pra alma; nem AAS, paracetamol, dipirona sódica ou açucarada, nada. Tenho o velho conselho dos nadadores de Genebra: tampe o nariz e tchibum. E bacio.

    Responder
  • 3. Lisandra  |  terça-feira, 31 outubro às 10:21 pm

    Olá, Carla

    Eu adquiri o hábito de escrever sempre que estava muito triste. Escrever com detalhes, pra guardar bem as mínimas nuances de cada inverno longo e tenebroso que me atingia. Depois comecei a escrever também quando estava muito alegre, muito eufórica. Em resumo, nada mais do que o bom e velho diário (e eu realmente usava um caderninho…).

    Bom, e “filosofando” sobre o ato de escrever, concluí que é maravilhoso ler tudo depois, porque você tem a noção do quão triste pode ser, de até onde pode chegar … e isso é um alento porque, lendo, recordando, você aprende por si mesma, sem que alguém tenha que vir dizer, que a vida é essa vertigem, é estar se sentindo plena em um dia, vazia e sem sentido em outro. Saber disso é fácil. Sentir, assimilar, apreender não com a razão, mas com a intuição: eis aí a imensa dificuldade.

    Mas sobre o “Doril para a alma” , certa vez, estando assim, muito, mas muito triste mesmo, me salvei de tomar um antidepressivo ao ler um trecho de um livro de correspondências entre Fernando Sabino e Clarice Lispector (Cartas perto do coração). Ele dizia que os dois eram pessoas que sofriam bastante, desde sempre, e concluiu que o sofrimento era inevitável, mas que “O que é preciso é sofrer bem, com discernimento, com classe, com serenidade de quem já é iniciado no sofrimento. Não para tirar dele uma compensação, mas um reflexo.”

    Então pensei: mas como eu, Lisandra, “Queen of pain” para alguns, podia estar me comportando assim, como….como uma virgem, como alguém que nunca tinha passado por aquilo e que não podia chorar um tantinho???? Que é isso??!!!Que remédio porcaria nenhuma!!!!

    Bom, pois esse vem sendo o meu doril para a alma. Chorar quando vem o sofrimento, (não me jogo no fundo do poço, mas ao menos procuro não me levantar de repente, com artificialismos) comemorar intensamente quando vem a alegria e ter a consciência de que nem o inverno nem o verão ou a primavera são permanentes. E essa consciência eu ganhei registrando e lembrando, sem medo, tanto da dor quanto da alegria.
    Pra terminar, o chazinho que eu tomo com o meu doril:

    Profissão de febre (Leminski)

    quando chove,
    eu chovo,
    faz sol,
    eu faço,
    de noite,
    anoiteço,
    tem deus,
    eu rezo,
    não tem,
    esqueço,
    chove de novo,
    de novo, chovo,
    assobio no vento,
    daqui me vejo,
    lá vou eu,
    gesto no movimento

    Beijo,
    Lisandra

     Re: Leminski, Sabino e Clarice no mesmo comentário? Isso é ótimo. É a história de tatuar na mão “isso passa”, para não esquecer que as coisas ruins irão embora. Mas as boas também irão, certo?

    Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Agenda

outubro 2006
D S T Q Q S S
« set   nov »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

Most Recent Posts


%d blogueiros gostam disto: