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Sobre tudo, sobre nada (da vida nos últimos dias)
Ainda há pouco no MSN a Lu me perguntou: “Mas você não vai pro Square?” Assim, como se a gente fosse juntas pro Square todas as semanas, como se ela pelo menos conhecesse o Square. Do mesmo jeito que eu falo “Feliz Círio” pra ela e ando curtindo muito o Círio aqui de longe, seja nas fotos do blog dela, nos posts ou no que a gente conversa no MSN. A Lu me conhece mais que muita gente que mora no meu prédio, mesmo a gente estando cada uma em uma ponta do Brasil.
Do mesmo jeito a Babs. Eu na minha faculdade aqui, ela na faculdade dela lá em Curitiba. E a gente troca idéias, livros, filmes, músicas. Quando a coisa aperta, ela é uma das pessoas que mais me ouve – como a Lu.
Eu ainda poderia citar muita gente aqui: a Verox, o Rafa, a Pat, a Elis, o Erick, a Mônica, o Ian, e mesmo assim seria injusta porque falta gente. Pessoas com quem eu tenho laços fortes, muito mais fortes que os laços que eu tenho com grande parte dos meus vizinhos ou das pessoas que eu conheço e moram aqui em Cascavel. Pessoas que são as primeiras em que eu penso quando quero tomar um suco ou um café – como hoje a tarde. E que eu não posso chamar porque estão longe.
Eu queria que inventassem logo um jeito novo de se teleportar, porque avião é muito demorado (e muito caro). Que fosse uma coisa instantânea, do tipo “Lu, vamos tomar um café?” e a Lu aparecesse aqui. Ou eu, lá. Ou nós duas, no Rio, na beira do mar. Com as nossas respectivas companhias favoritas. E depois a gente falasse “ah, vamos dar uma volta na roda gigante” e *plim* estivesse lá no Arraial do Círio.
(Lu, eu sei que já foi inventado e chama pó de pirilimpimpim. Mas não tem pra vender no Paraguay.)
Enfim…
Todo esse prelúdio é só pra dizer que não tem problema. Eu sinto saudades da Lu (e de outras pessoas) mesmo sem ter visto porque eu sei que são das melhores companhias. Eu sinto ainda mais saudades da Babs e de tanta gente mais porque eu já estive junto e sei como é bom.
Amor, amizade, isso se faz com a alma. E depois com o corpo. E depois com tudo junto. E minha alma já está definitivamente entregue.
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Que coisa mais linda o CD (?) novo do Radiohead. Alguém pode me explicar porque eu demorei tanto tempo para ouvir Radiohead?
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O que eu mais tenho dito nos últimos dias: “ai, ai…” (E isso que eu tinha jurado nunca mais me meter numa dessas!)
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Feliz fim de dia do Agrônomo, do Mar, do Atletismo, das Crianças e de Nossa Senhora Aparecida pra todo mundo. E Feliz Círio se eu não encontrar vocês até domingo.
4 comments Sexta-Feira, 12 Outubro
As garotas da Sra. Z
A Sra. Z não consegue imaginar o que seria da sua vida sem essas garotas. Não que os garotos não sejam importantes, mas é nessas garotas que ela se espelha quando as coisas apertam. Pudesse, a Sra. Z engoliria uma por uma, num ritual antropofágico para tornar-se invencível.
[Embora sozinha ela não dê conta de muita coisa, junto com essas garotas a Sra. Z é invencível.]
E são tantas essas garotas. De tantas origens, de tantos jeitos. Tem a garota morena, que dança Carimbó, com seu jeito de moça brava e sua dedicação tremenda. Com ela a Sra. Z aprendeu a fazer tudo com paixão. Com ela a Sra. Z aprendeu a se atirar, que não é mau tomar partido. Vem dela a paixão pelas coisas da terra, pelo cheiro de andiroba e pelos bombons de cupuaçu.
Também tem a garota da serra, de sorriso largo e pele de bebê. Dessa garota a Sra. Z aprendeu que é tudo é possível, se não não desistir. Que nada substitui o trabalho duro e o mérito. Que há vários caminhos a seguir, basta olhar para o lado. Que as pessoas vêm e vão, mas uma vez marcadas na alma, não há o que faça o vínculo sumir.
[Algumas coisas acontecem tão rápido, e mesmo assim a Sra. Z sente como se já fossem décadas.]
E o que dizer, então, da garota de olhos verdes e cabelos de índia? Dela a Sra. Z aprendeu o que são amigos de verdade. Aprendeu a lutar pelos objetivos e a fazer limonadas de todos os limões que a vida lhe atira. Aprendeu que as coisas devem ser construídas. E que o tempo e o espaço, por mais que se coloquem de forma incisiva, jamais vão interromper laços entre irmãs que se escolheram.
Não se pode esquecer da garota da cozinha. De sorriso frágil e alma forte. Vencedora de todas as vicissitudes, que mostra a todo o momento que o caminho é você quem faz e que reclamar de nada adianta. Que luta e conquista suas coisas simplesmente porque merece. Porque faz por merecer.
E há outras garotas ainda: a garota dos gatos que mostra como ser ora frágil, ora forte, sem jamais perder a dignidade; a garota dos olhos azuis que lhe revela os segredos mais escondidos; a garota dos cabelos de mar, que provou que amizades surgem até nos momentos mais absurdos; a garota crescida que faz companhia nas horas mais necessárias. São essas garotas, todas elas, que a Sra. Z gostaria de levar consigo sempre, numa decisão de absurdo egoísmo.
Mas a Sra. Z sabe que não é possível, nem desejável, aprisionar suas garotas. O mundo precisa delas, sabe a Sra. Z, porque elas são raras. E, afinal, elas sempre estarão por perto. Porque vincos na alma não se desfazem tão facilmente.
2 comments Sábado, 6 Outubro
Da vida e das suas vicissitudes
Todos os dias morre alguém, eu sei. Mas mortes vem acontecendo de um jeito muito frequente por aqui, sabe? Em menos de dez dias foram três pessoas próximas: uma viagem já era esperada há algum tempo – uma das passagens mais dignas que eu já vi, diga-se de passagem, uma inesperada e assustadora (só fiquei sabendo agora) e ainda outra traumática, violenta, deixando todo mundo meio bobo, sem entender nada.
Aí eu me pego pensando no tal “fato humano” de que o Enio falou esses dias. Quantas vezes a gente fica igual formiga, catando migalhas aqui e ali. Correndo pro formigueiro não deixar de funcionar a contento.
A contento de quem? A contento de quê?
Hoje conversava com uma amiga: ela não se conforma por não entender o “critério”. Eu prefiro me apegar na história de que ninguém sabe a hora que o ladrão chega e que a gente tem que estar sempre vigilante.
Sempre, sempre, vigilante.
Vigiar é estar pronto para ir, a hora que for. Você quer ir chateado com alguém? Com alguém chateado contigo? Deixando trabalho pela metade? Sabendo que perdeu os últimos dias da sua vida jogando bubble shooter (sim, eu sou viciada em bubble shooter)?
O que você produz para o mundo? O que você vai deixar aqui depois que for, além de toneladas de lixo e litros de água poluída? E eu não estou falando de produção material, de produção econômica. Produção de carinho, de paz, de harmonia conta muito mais que isso no final.
Da minha parte, eu procuro (e nem sempre consigo, porque eu sou gente fraca e pequena – por isso que eu tento olhar para quem pode me dar exemplo, seja Bento, Francisco ou a minha amiga que foi embora hoje) me lembrar sempre do que é importante. Como bem disse a Rosana (citada pelo Enio, de novo) a gente sabe qual é o nosso fim. O que vem depois, ninguém sabe. Eu creio que seja algo bom, mas isso é fé. E o algo bom que vem depois está intimamente ligado ao que eu faço agora. Ao que nós fazemos agora.
As vezes eu me esqueço disso. Mas é impossível ignorar quando tem tanta gente próxima partindo…
2 comments Terça-feira, 28 Agosto