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Apenas mais um post

Eu não ia pegar o hype: eu não tinha conhecidos lá, não moro lá, não ando de avião. Minha cidade mal tem um aeroporto – que anda mais fechado que aberto, por causa do vento, por causa da chuva. Além disso, não foi pra falar de desgraça que eu abri esse blog.

Mas não dá. Ontem, quando eu ouvi a música do plantão da Globo, me deu um gelo. A música do plantão deve gelar qualquer mortal desse país. Mas pensei que fosse alguma coisa relacionada ao Pan, nem fui olhar.

Quando liguei a TV, senti quinze tipos de medo. Tenho amigos que vivem na ponte SP – POA. Na hora, todos vieram na minha cabeça. Eu não sabia se ligava, se mandava e-mail, se procurava no MSN. Não achei que seria bacana receber uma ligação do tipo “oi, eu só queria saber se você está vivo”. Não liguei, sabendo que notícias ruins chegam sem a gente ir atrás delas, rapidinho. Hoje de manhã tive notícias de todos ele – graças a Deus não estavam no vôo.

Mas e aí? E os 176 (é isso mesmo?) passageiros que estavam no vôo JJ3054 da TAM? E as pessoas que estavam em terra? Eles são menos importantes porque eu não os conheço?

Não. Agora, passado o primeiro choque, me dou conta do quanto a morte dessas pessoas de um jeito tão estúpido, tão ridículo, tão previsível, é criminosa. E o quanto esse país tem que tomar jeito.

A começar pela imprensa. A Carol e o Chico tem comentários aparentemente opostos, mas muito semelhantes: será que o acidente vai virar hype? Tem blog usando isso pra pegar paraquedista do google? É só pra isso que vai servir? Para aumentar a popularidade da Perfis de Gente Morta? Ou esses esforços vão ser aglutinados para exigir atitudes drásticas de quem deve tomá-las?

O problema maior é o nosso (des)governo. Federal, estadual, municipal. Cai avião, convoca reunião de emergência. Controlador de vôo entra em greve por falta de condições de trabalho, usa lei marcial pra fazer os infelizes trabalharem mais. Quebra a safra por chuva de pedra ou geada, baixa um pacote de refinaciamento. Crise em hospital, contrata um monte de gente na pressa. Precisa reconhecer curso em universidade pública, compra equipamento sem licitação na pressa. Falta menos de um mês pro Pan e as obras estão atrasadas, mais obras sem licitação e tudo fica bonito na abertura.

Deu pra entender aonde eu quero chegar?

Isso não é papel de governo. Isso é apagar incêndio (com o perdão do trocadilho infeliz).

Se o aeroporto deixou de ser a melhor saída para o Brasil, se aviões se tornaram um meio de transporte perigoso no Brasil, se a coisa chegou nesse ponto é porque tem algo muito errado aí. E há mais de 6 anos. Há mais de 14 anos. Em 63 teve um acidente em Congonhas, na época do Pan de São Paulo. São quarenta e quatro anos. Falta planejamento estratégico nesse país.

“Ah, mas eu pago os meus impostos e voto a cada ano, o que mais eu posso fazer?”

Sei lá. Eu já falei antes e vou repetir: considero esse tipo de participação política insuficiente. Para um país que lutou pela democracia, votar não é privilégio. É obrigação. Tá, tem toda aquela conversa de votos de adolescentes, voto de analfabetos, voto obrigatório. Mas não quero me delongar.

Eu não tenho a solução dos nossos problemas. Mas espero que a gente não esqueça que os problemas são NOSSOS, não de outros. E cobre a solução como for de direito.

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4 comments Quarta-feira, 18 Julho

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