Posts filed under 'politica'

Mais sapo, mais xuxu… (Respondendo)

Essa discussão começou no Enloucrescendo, eu comentei, o Ian me respondeu e eu ia responde-lo lá, mas a resposta ficou muito grande. Não vou prometer que é o último post em que falo de política, porque eu duvido muito. Apesar de saber que são discussões, no fim, não trazem muito resultado.

Vou responder do avesso, tá?

A última parte primeiro, depois a primeira: *Você* não vê o interior como algo atrasado. Faz uma enquete entre seus conhecidos e vê o que sai daí.  Canso de ouvir gente perguntando “mas vc fez a cirurgia (do olho) em Cvl mesmo?”. Aqui TEM vários hospitais – muito bons – por sinal, tem escola, tem faculdade. Mesmo que não tivesse, gente de interior não é menos inteligente que gente de capital, apesar das tentativas numerosas para passar a gente “pra trás”, aquela visão bem jeca mesmo. Mas, enfim, vc é exceção. Em várias coisas. E sabe disso. (E volto pro etnocentrismo, há quem pense que todo mundo que mora em São Paulo é personagem do Sílvio de Abreu e todo mundo que mora no Rio é personagem do Manoel Carlos. Eu sei. Só que falo do que me afeta.)

A primeira parte agora: o xuxu não é grandes coisas e eu também quero ver o Chalita sendo comido por leões. Se bem que ser comido por leões é algo super ultra rápido, preferia uma morte mais lenta. Abutres, quem sabe. (De preferência que o corpo se regenerasse, também.) Aliás, faltariam abutres, se a gente fosse por todo mundo que merece. E acredito que nossas listas sejam bem parecidas.

Agora, não se engane: grande produtor NÃO QUEBRA. Tem lastro, tem reserva pra queimar. Quem tá quebrando é o pequeno, que deve até as cuecas pro BB – e não vem com pacote de meia pataca que não serve pra nada além de postergar a dívida. Produtor de soja é o que menos tá prejudicado. Conversa com  produtor de leite, de frango, de carne ou de suíno - coisa que brasileiro come. O preço que pagam pelo litro de leite, para o produtor, é indecente: menos de cinquenta centavos. Menos que 300 ml de Coca cola. Não cobre o custo. Maioria de pequenos produtores, dependentes de cooperativa ou de agroindústria. Além dos funcionários de agroindústria. O dono da Jacto não perde dinheiro em Pompéia, porque ele demite. O dono da Semeato também. A John Deere, bonitona, muda-se para a Argentina e boa. E a população de Horizontina? Além da Bunge, da Cargill, de várias outras (agro)indústrias. Quem se lasca não é o dono da empresa, ele se muda. Quem se lasca é o cara que só tem aquela opção de emprego. Ou o agricultor médio, que tá se enforcando dia após dia.

Falando em comida de brasileiro, também tem a situação do trigo, importado da Argentina com uma alíquota ridícula por causa do Mercosul, fazendo o trigo nacional ser descartado pelo mercado interno. (Agora deram para importar farinha e quebrar os moinhos também, mais agroindústria, mais gente indo pra rua. Porque nenhum dono de moinho não vai abrir mão das férias num cruzeiro, te garanto.)

É dessa gente que eu tô falando. Não dos grandes. Pode ser que essa gente não coma soja, mas depende dela – e do agronegócio – pra viver. E vão acabar nas filas dos bolsa-família da vida. E aí eu acho que a gente discorda: fazer uma política puramente assistencialista não me parece a melhor forma de contribuir com a população brasileira.

No fim das contas, é tudo a mesma coisa: eles não estão nem aí para a população (aquela que precisa de governo, seja o pequeno agricultor ou o menino da periferia que precisa de uma boa escola pública para ter chance de qualquer coisa na vida). O que eles querem – tanto um quanto o outro – é ficar no poder. E 2010 vêm aí, com Serra e Aécio ou sei lá quem, para fazer o mesmo teatro, defender os próprios interesses e mais gente botando paixão, botando esperança.

Se a questão fosse – realmente – fazer esse país começar a andar, eles se uniriam para criar um pacto social e dar um jeito desse país crescer, como foi feito na Espanha. Coisa que eu não vi acontecer na minha vida. Nem creio que vá ver.

Última coisa, falando em agronegócio (e sobre como o governo federal não prejudica as multis): A Syngenta possui uma fazenda próxima ao Parque Nacional do Iguaçu, dentro da zona de amortecimento (10 km), e estava fazendo testes com soja geneticamente modificada. A Via Campesina invadiu em 14 de março, alegando irregularidade e aquela coisa toda de preservação do meio ambiente (não é bem assim, mas isso é assunto pra outro post). Quatro dias antes da eleição, o Paulo Bernardo esteve aqui fazendo campanha e anunciou uma medida provisória que reduzia para 500m a zona de amortecimento. Essa MP ficou na gaveta até dia 31, foi publicada ONTEM no Diário Oficial. Coincidentemente ou não, ONTEM também foi feito um acordo para que o MST desocupasse a fazenda da Syngenta por meios próprios até quarta feira que vem. A desocupação foi feita hoje. Agora, me diga você, não é um pouco suspeito demais essa MP ser segurada até dois dias depois da eleição para ser publicada? E o acordo com o MST sair no dia da publicação da medida?

Pois é. Por isso que eu não consigo achar que o Lula é melhor que o Alckmin. Nem pior. São iguais. A diferença é que ele prejudica mais o meu setor.

1 comment Quinta-feira, 2 Novembro

Um breve comentário

Frank Aguiar

Clodovil

Paulo Maluf

Valdemar Costa Neto

Cascavel eleger só um deputado estadual

Ricardo Berzoini

José Sarney

Fernando Collor de Mello

:::::::::::::::::::::::::::: 

Democracia é representação. Só posso falar isso.

7 comments Segunda-feira, 2 Outubro

Sobre as eleições

Alexandre Inagaki participou de forma genial em uma blogagem coletiva sobre Ética (e sobre política) ontem, dia 25 de setembro. Não repetirei o que ele disse, apenas recomendo fortemente que você vá até lá e leia o que ele diz.

Votar nulo não anula eleição. Nulidades sim: acidentes, temporais, incêndios ou qualquer tipo de dano em mais da metade das urnas. Como eu não espero ver a barbárie no domingo, não acredito em eleição anulada. Antes que alguém se anime, lembre-se que  parte dos prédios e todo o aparato usado em eleições (urnas, cabines, cadernos de eleitores) são patrimônio público. Isso significa TODOS somos donos,  apesar de boa parte da população agir como se ninguém o fosse.

A parte da população que tem acesso à Internet tem à sua disposição vários sites para verificar as contas de campanha, o patrimônio declarado e outras informações fundamentais para escolher parte dos funcionários públicos mais bem pagos do país. Omitir-se, escolher “no chute”, é imperdoável. Não venha com churumelas depois. Não sabe onde ir? Experimente o Transparência Brasil, o Políticos do Brasil, o Contas Abertas. O Inagaki indica outros no seu post. Falta de informação não é problema. Informe também as pessoas ao seu redor, discuta a política, fale sobre ela. Elabore o seu posicionamento, aceite críticas e não leve para o lado pessoal: estamos contratando gente para a nossa empresa.

O principal argumento de quem vota nulo é que “faltam bons candidatos”. Ok. Estamos basicamente divididos entre um candidato mitológico e outro que não tem o mínimo de carisma – apesar de ser um bom administrador de crises (isso segundo uma moradora de São Paulo). Temos mais opções quando falamos em senadores e deputados, federais e estaduais. Se eu estivesse aconselhando alguém, indicaria que votasse em alguém próximo. Seja da sua cidade, do seu bairro ou da sua categoria profissional. Deputados distantes são pouco úteis na defesa dos seus interesses.  Guarde o nome, o email e o telefone dos seus deputados, saiba quem são os deputados eleitos pelo seu estado. Não é campeonato brasileiro e importa muito saber quem está lá em cima decidindo coisas por nós.

Nem assim você consegue pensar em alguém? Isso é sinal de que falta participação: na sua associação profissional ou no seu conselho de classe, no condomínio ou na associação de moradores. Sua vida política está negligenciada e eu espero que você não se orgulhe disso. Quem não faz, deixa para os outros fazerem. Quem deixa que os outros façam, não pode reclamar de muita coisa. Preste atenção e você vai ver que as categorias mais priorizadas são as melhor representadas. Lembre-se, o que é público é de todos, não de ninguém.

Quatro dias. Esse é o tempo que você tem para decidir qual é o Brasil dos próximos quatro anos. Quais leis serão aprovadas, quais reformas são primordiais, quais interesses serão priorizados. Pense bem e vote. E torça para que os próximos quatro anos sejam melhores que os últimos.

1 comment Terça-feira, 26 Setembro

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