O dia em que eu fui Virgem Maria
Segunda-feira, 24 Dezembro
No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré. Foi a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José, que era descendente de Davi. E o nome da virgem era Maria. O anjo entrou onde ela estava, e disse: ‘Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!’ Ouvindo isso, Maria ficou preocupada, e perguntava a si mesma o que a saudação queria dizer. O anjo disse: ‘Não tenha medo, Maria, porque você encontrou graça diante de Deus. Eis que você vai ficar grávida, terá um filho e dará a ele o nome de Jesus. Ele será grande, e será chamado Filho do Altíssimo. E o Senhor dará a Ele o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó. E o seu Reino não terá fim’. (Lc 1,26-33)
Na paróquia que eu participava quando pequena, o fim do ano era sempre igual. Depois do encerramento da catequese (por volta da segunda quinzena de novembro), começavam os encontros de preparação para o Natal. Os grupos eram formados pelas famílias que recebiam a mesma capelinha – cada duas quadras tinham a sua capelinha e a sua zeladora – e os encontros de preparação seguiam o mesmo roteiro: oração – fato da vida – leitura da Palavra – oração – gesto concreto – oração. É fácil imaginar que esse roteiro não era muito atrativo para crianças, mas a minha quadra contava com a Dona Eleonor, uma senhora pia, extremamente devota e com veia artística: ela era a nossa coordenadora, responsável pelo Presépio Vivo do grupo.
O presépio vivo era a alegria das crianças. Só poderia participar (como anjo, pastor, José ou Maria) quem frequentasse as reuniões. Era um bom argumento e as reuniões sempre se encerravam com um lanchinho e o ensaio.
A minha vez de ser Virgem Maria chegou quando eu tinha 13 anos. E foi especial, demais, porque o Menino Jesus era um bebê de verdade. A “peça” não exigia grandes talentos teatrais, eram só dois atos: a chegada em Belém com José e o burrico (o burrico também era personagem, esqueci de falar antes) e a adoração dos pastores e dos Reis Magos. Mas ensaiávamos muito, nada poderia dar errado (eu não poderia deixar o bebê – de verdade – cair, por exemplo).
Naqueles dias, o imperador Augusto publicou um decreto, ordenando o recenseamento em todo o império. Esse primeiro recenseamento foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade Natal. José era da família e descendência de Davi. Subiu da cidade de Nazaré, na Galiléia, até a cidade de Davi, chamada Belém na Judéia, para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Enquanto estavam em Belém, se completaram os dias para o parto e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou, e o colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles dentro da casa. (Lc 2,1-7)
O dia chegou: em uma garagem da vizinhança montamos o cenário – janelas onde os donos de hospedarias recusariam pouso à Sagrada Família, a gruta, a manjedoura. Eu e meu irmão seríamos Maria e José, outras garotas foram donas de hospedaria e os outros garotos foram anjos, pastores, reis ou burricos. De nós dependia a história do Natal, nós estávamos fazendo o Verbo existir entre nós.
É desse tempo que vem as minhas lágrimas ao ler, ouvir ou ler coisas de Natal. Foi com a D. Eleonor (e seu presépio perpétuo, guardado na estante que se abria no Natal, com direito a jacarés e carros de polícia) que eu aprendi o que é Natal: um homem e uma mulher carregando a Graça, vendo as portas se fecharem ao seu pedido de pouso. Mas nem as portas fechadas fazem com que Deus desista de nós: a cada ano somos chamados a lembrar daquele que, enviado por Deus, foi rejeitado e perseguido pelos homens. A cada ano, a chance se renova (o Ano Litúrgico, para os católicos, começa no Advento – a espera pelo Natal). E, uma semana após o milagre, Deus nos dá um ano inteirinho, em branco, à espera da nossa escrita.
Que 2007 se encerre em grande estilo. Que 2008 traga amor, saúde, paz e, principalmente, força: para lutar pelo que é certo, concretizar os seus desejos e suportar as vicissitudes da vida. E, apesar de eu não pretender converter ninguém, uma coisa é certa: é muito mais fácil ser forte quando Deus está do nosso lado. Assim, que em 2008 você fique com Deus. E que Ele abençoe os seus caminhos e os caminhos daqueles que você ama.
p.s.: Algumas pessoas já receberam essa mensagem por e-mail. Como no ano passado, achei por bem colocar aqui a mensagem para que todos recebam os meus votos de Natal e Ano Novo. Se você não recebeu o e-mail e deveria, mil perdões. Organizar meus contatos é uma das minhas resoluções de Ano Novo. =)
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1.
Dona Dani | Terça-feira, 25 Dezembro at 12:32 pm
Obrigada Dona Carla…bela história…real…do tipo real que nos faz querer viver mais um pouquinho…Feliz Natal!