Archive for Março 11th, 2007
As noites da Sra. Z.
A Sra. Z. abre os olhos em meio à fumaça. Por baixo das luvas, não há linhas em suas palmas. Homens e mulheres buscam a completude ao seu redor.
O bar, repleto de pessoas vazias, não mudara ao longo dos anos em que a Sra. Z. esteve ali, noite após noite. Homens e mulheres sempre buscarão preencher o vazio de suas almas com o calor de seus corpos.
Porque corpos e almas são uma coisa só, sabe a Sra. Z. A dança, a palavra, a sede e a luxúria são expressões do único desejo que existe. E desse desejo nasce tudo o que há nesse mundo.
“Na galeria cada clarão é como um dia depois de outro dia”, canta o Sr. B. ao fundo. A Sra. Z, ao ouvir, sorri e se aninha nas palavras que são abraço. O Sr. B. é companhia constante nas noites em que a Sra. Z. sente saudade do que nunca viveu.
Envolto nos desejos alheios, o seu desejo acaba engolido. A Sra. Z. sente-se frágil. Cansada de ser riso sempre, nunca pranto, ela veste a fantasia e vai para o palco. Ela tem consciência de que o amor não tem pressa e pode esperar.
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