27 Citações: Travessuras da Menina Má (Mario Vargas Llosa)

Quinta-feira, 28 Dezembro

Muitos hippies, talvez a maioria, vinham das classes média ou alta, e sua rebeilião era familiar, dirigida contra a vida cheia de regra dos seus pais, contra tudo aquilo que consideravam a hipocrisia dos seus costumes puritanos e as fachadas sociais que disfarçavam seu egoísmo, espírito de isolamento e falta de imaginação. Eles eram extremamente simpáticos com seu pacifismo, seu naturismo, seu vegetarianismo, a esforçada busca de uma vida espiritual que desse transcendência à sua rejeição de um mundo materialista e corroído por preconceitos classistas, sociais e sexuais do qual não queriam nem saber. Mas tudo aquilo era anárquico, espontâneo, sem centro nem direção, sequer idéias, porque os hippies – pelo menos os que eu conheci e observei de perto -, embora se identificassem com a poesia dos beatniks – Allen Ginsberg recitou seus poemas, cantou e dançou música indiana em plena Trafalgar Square diante de milhares de jovens -, na verdade liam bem pouco ou não liam nada. Sua filosofia não se baseava no pensamento e na razão, mas sim nos sentimentos: no feeling. (Travessuras da menina má. Mario Vargas Llosa.)

(Mario Vargas Llosa confirmando as impressões da Paty sobre a contracultura.)

Não se engane pensando que a história da niña mala se resume à uma crítica aos hippies. Além de contar a montanha russa que é a história do amor de um bom menino por uma niña mala, é um panorama das transformações da segunda metade do século XX. Aí entram os hippies, a AIDS, a máfia japonesa.

E chega de falar, senão eu conto o livro inteiro.

Gabs: tem lugar pra mais um nos seus três mosqueteiros que são quatro?

Entry Filed under: 27 citações, cultura. .

1 Comment Add your own

  • 1. Gabs  |  Segunda-feira, 8 Janeiro at 2:12 pm

    Acabei de ler As Travessuras da Menina Má. ADOREI

    Mas Vargas-Lhosa ainda precisa ser mais poético pra ter lugar entre os quatro mosqueteiros hehehe

    Beijo

    Re: É, vc tem jeito de quem gosta da menina má. E não, nada poético. Mas lindo.

    Responder

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