Archive for Dezembro 28th, 2006
27 Citações: Travessuras da Menina Má (Mario Vargas Llosa)
Muitos hippies, talvez a maioria, vinham das classes média ou alta, e sua rebeilião era familiar, dirigida contra a vida cheia de regra dos seus pais, contra tudo aquilo que consideravam a hipocrisia dos seus costumes puritanos e as fachadas sociais que disfarçavam seu egoísmo, espírito de isolamento e falta de imaginação. Eles eram extremamente simpáticos com seu pacifismo, seu naturismo, seu vegetarianismo, a esforçada busca de uma vida espiritual que desse transcendência à sua rejeição de um mundo materialista e corroído por preconceitos classistas, sociais e sexuais do qual não queriam nem saber. Mas tudo aquilo era anárquico, espontâneo, sem centro nem direção, sequer idéias, porque os hippies – pelo menos os que eu conheci e observei de perto -, embora se identificassem com a poesia dos beatniks – Allen Ginsberg recitou seus poemas, cantou e dançou música indiana em plena Trafalgar Square diante de milhares de jovens -, na verdade liam bem pouco ou não liam nada. Sua filosofia não se baseava no pensamento e na razão, mas sim nos sentimentos: no feeling. (Travessuras da menina má. Mario Vargas Llosa.)
(Mario Vargas Llosa confirmando as impressões da Paty sobre a contracultura.)
Não se engane pensando que a história da niña mala se resume à uma crítica aos hippies. Além de contar a montanha russa que é a história do amor de um bom menino por uma niña mala, é um panorama das transformações da segunda metade do século XX. Aí entram os hippies, a AIDS, a máfia japonesa.
E chega de falar, senão eu conto o livro inteiro.
Gabs: tem lugar pra mais um nos seus três mosqueteiros que são quatro?
1 comment Quinta-feira, 28 Dezembro